O avesso do avesso: as mazelas da endogamia
Resumo
Em resposta pouco polida a uma notícia dedicada à Crítica da razão pura, Immanuel Kant acusou o resenhista de não ter lido o texto, no entanto mencionado com desenvoltura. O imprudente crítico confundira os conceitos de transcendental e transcendente! "Sem comentários": eis a conclusão kantiana. Pois é. Lembrei do episódio ao ler a resenha que Lidiane Soares Rodrigues achou por bem compor sobre meu livro Machado de Assis: por uma poética da emulação. A resenhista Rodrigues, contudo, é mais astuta e pinça, aqui e ali, números de página a fim de afiançar a seriedade com que se empenhou no exercício crítico. No entanto, ela teria feito melhor uso de seu talento adquirindo familiaridade com os estudos literários, em geral, e a obra machadiana, em particular. Vejamos. No primeiro parágrafo de sua "resenha", a autora faz gala de erudição invejável listando os "oito" romances machadianos. Oito? Isso mesmo: na peculiar matemática literária da resenhista Rodrigues, depois de Dom Casmurro, Machado publicou Memorial de Aires... O que aconteceu com Esaú e Jacó? Simplesmente o romance desaparece na enumeração bem informada da severa resenhista. Há mais. No final do primeiro parágrafo, a resenhista acredita transcrever meu texto: "(...) eis a embocadura da 'metamorfose' do 'sempre solícito Machadinho' no 'Machadão que se admira em todo o mundo' (p. 13)". 1 Creio que as aspas indicam que estou sendo citado-e agradeço a deferência. No entanto, não escrevi Machadão, porém o mais modesto "Machado". Ora, "De Machadinho a Brás Cubas" é o título de ensaio seminal de Augusto Meyer, no qual ele se refere ao "Machadão".
Palavras-chave:
- Resenha
Como citar este artigo
ROCHA, João Cezar de Castro. O avesso do avesso: as mazelas da endogamia. Topoi (Rio J.), v. 15, n. 28, p. 372-379, 2014.
