nº 28 / V. 15

Janeiro - Junho 2014

Artigos

Lembranças do golpe - 1964

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Por: Maria Paula Araújo

Neste artigo apresentaremos, em forma escrita, trechos de depoimentos de um acervo áudiovisual. Acompanha o artigo um vídeo feito a partir da edição das imagens referentes a esses trechos. Dessa forma, o leitor poderá ler os trechos dos depoimentos e/ou assistir ao vídeo com esses mesmos trechos. No vídeo, as falas dos depoentes foram traduzidas paralegendas em inglês. Os pequenos trechos de depoimentos apresentados aqui foram retirados do acervo “Marcas da memória: história oral da anistia no Brasil”, que reúne entrevistas de pessoas que tiveram suas vidas marcadas, de alguma forma, pela ditadura militar brasileira: ex-presos políticos, ex-banidos e exilados, familiares de mortos e desaparecidos, militantes de organizações de esquerda e de movimentos de direitos humanos, padres, advogados de presos políticos, entre outros. As entrevistas foram gravadas, filmadas, editadas e transcritas e constituem um importante acervo audiovisual para a pesquisa sobre a história e a memória da ditadura militar e do processo de redemocratização e justiça de transição no Brasil.

Lembranças do golpe - 1964

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Por: Maria Paula Nascimento Araújo

Neste artigo apresentaremos, em forma escrita, trechos de depoimentos de um acervo áudiovisual. Acompanha o artigo um vídeo feito a partir da edição das imagens referentes a esses trechos. Dessa forma, o leitor poderá ler os trechos dos depoimentos e/ou assistir ao vídeo com esses mesmos trechos. No vídeo, as falas dos depoentes foram traduzidas para legendas em inglês. Os pequenos trechos de depoimentos apresentados aqui foram retirados do acervo “Marcas da memória: história oral da anistia no Brasil”, que reúne entrevistas de pessoas que tiveram suas vidas marcadas, de alguma forma, pela ditadura militar brasileira: ex presos políticos, ex-banidos e exilados, familiares de mortos e desaparecidos, militantes de organizações de esquerda e de movimentos de direitos humanos, padres, advogados de presos políticos, entre outros. As entrevistas foram gravadas, filmadas, editadas e transcritas e constituem um importante acervo audiovisual para a pesquisa sobre a história e a memória da ditadura militar e do processo de redemocratização e justiça de transição no Brasil.

Jihad na África Ocidental durante a “Era das Revoluções”: em direção a um diálogo com Eric Hobsbawm e Eugene Genovese

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Por: Paul E. Lovejoy

Este artigo trata das relações entre movimentos sociais e políticos ocorridos na África Ocidental em fins do século XVIII e início do século XIX, em especial o jihad sudanês, e os processos de transformação global do Ocidente nesse mesmo período. Abre-se um diálogo com os trabalhos de Erick Hobsbawm e Eugene Genovese, analisando criticamente suas abordagens sobre a influência das sociedades do oeste africano nos eventos que têm lugar no mundo atlântico durante a chamada “era das revoluções”. O artigo discute, ainda, a perspectiva a partir da qual vêm sendo estudadas as rebeliões escravas nas Américas, que pouco considera o contexto africano e ressalta apenas as influências das mudanças revolucionárias na Europa Ocidental. Nesse sentido, também questiona a historiografia que analisa o surgimento do “Atlântico Negro”, a qual não atribui a devida importância aos determinantes originados no interior da África, fundamentais nesse processo.

Há duzentos anos: a revolta escrava de 1814 na Bahia

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Por: João José Reis

As rebeliões escravas que ocorreram na Bahia na primeira metade do século XIX tiveram significativa participação de africanos escravizados trazidos do Sudão Central, região que desde o começo do Oitocentos se tornara cenário de conflitos políticos de base religiosa, iniciados com o jihad de 1804 liderado por Usuman dan Fodio. Milhares de vítimas dessas guerras abasteceram embarcações negreiras que deixavam a Costa da Mina com destino à Bahia. Foram africanos trazidos dessa região, sobretudo haussás adeptos de vários tipos de devoção islâmica, os protagonistas de diversas conspirações e revoltas entre 1807 e 1816, a mais séria das quais aconteceu em fevereiro de 1814, e envolveu escravos de Salvador e subúrbios litorâneos. Esta revolta é aqui analisada com base no acórdão de sentença dos réus e outros documentos. O artigo discute o papel da religião (Islã), da identidade étnica (haussá) e de outras experiências africanas em ambos os lados do Atlântico, quanto a liderança, organização, mobilização, táticas e objetivos da revolta

Baleias e ecologistas na Paraíba: uma história do fortalecimento do movimento ambientalista e o debate sobre a crise da economia baleeira (1970-1980)

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Por: José Otávio Aguiar

A atividade baleeira perdurou por quase quatro séculos no Brasil (1603-1987), tendo sido encerrada no país depois de 384 anos de vigência. O governo José Sarney (1985-1990), pressionado por organismos de proteção ambiental e pela opinião pública, proibiu definitivamente a caça por meio da Lei Federal n o 7.643, em dezembro de 1987. A lei motivou questionamentos e debates em nível local e nacional em razão de eventuais prejuízos que o fim da atividade baleeira traria para a economia do município de Lucena e para o estado da Paraíba. Este artigo deseja lançar interrogações sobre a crise da atividade baleeira no Brasil, analisando os debates que ocorreram entre biólogos, políticos, ambientalistas e trabalhadores da indústria baleeira localizada no município de Lucena. Para tanto, recorrerá tanto à bibliografia disponível sobre o tema quanto aos jornais do período, principalmente os jornais paraibanos publicados na década de 1980. Palavras-chave: baleias; história ambiental; desenvolvimento; jornais.

“E o conhecimento da viveza (…) o habilitou para aquele lugar”: Duarte Ribeiro de Machado de secretário de Embaixada a enviado extraordinário na Restauração Portuguesa

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Por: Ana Luiza de Castro Pereira

Neste artigo, analisamos a trajetória de Duarte Ribeiro de Macedo (1610-1680) que, inicialmente, assumiu a função de secretário de embaixada para, posteriormente, chefiar uma missão em Paris como embaixador extraordinário. Os relatos por ele redigidos e emitidos para a Coroa portuguesa revelam um outro lado da vida diplomática daquele período. As dificuldades financeiras enfrentadas por Duarte Ribeiro de Macedo na sua manutenção na corte parisiense foram frequentemente motivos de queixa junto ao rei. Além disso, o embaixador revelou-se como um atento observador do modus vivendi da Corte francesa. Estar numa corte estrangeira exigiu muito dos representantes diplomáticos portugueses que, mesmo na impossibilidade de se manterem no estrangeiro, sempre tiveram a preocupação de representar a Coroa portuguesa de maneira honrada. Percebe-se que a estadia nas cortes europeias demandava não somente conhecimento político, mas também habilidade para circular nas mais diferentes cortes e conviver com hábitos sociais e culturais bastante distintos.

“Eu quero uma casa no campo”: a busca do verde em Belo Horizonte, 1966-1976

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Por: Regina Horta Duarte

A expansão de condomínios horizontais esteve diretamente relacionada às condições históricas que acarretaram a deterioração e o abandono do centro urbano de Belo Horizonte, entre meados das décadas de 1960 e 1970. Nesse contexto, alguns tiveram o privilégio de escolher o sonho da casa no campo, atraídos por promessas de uma vida renovada, mergulhados nos paradoxos do desenvolvimento e dos dramas sociais, políticos e ambientais em curso no Brasil durante a ditadura civil-militar. Cientistas e técnicos realizavam as primeiras avaliações dos dilemas da poluição ambiental urbana. Entretanto, temas ambientais se configuravam como assunto extemporâneo e distante da política, subestimados por setores brasileiros de direita e esquerda. A perda de qualidade de vida em Belo Horizonte recebeu soluções individuais, por vezes com aspectos comunitários. O caráter simultâneo desses processos na capital mineira esclarece casos históricos similares em outras grandes metrópoles brasileiras e latino-americanas

Roberto Farias e a lógica do duplo-pensar no caso da censura ao filme Pra frente, Brasil

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Por: Wallace Andrioli Guedes

A presente pesquisa busca discutir as relações entre censura e representação cinematográfica da ditadura civil-militar brasileira nos anos finais do regime, a partir do caso do filme Pra frente, Brasil, dirigido por Roberto Farias e lançado nos cinemas do país no início de 1983. Avalia-se até que ponto o modo representativo e o discurso político adotados por Farias são condicionados pelas pressões censórias existentes no período ou expressam meramente um posicionamento político do cineasta em questão. Palavras-chave: ditadura civil-militar brasileira; censura; cinema brasileiro; resistência; duplo-pensar.

O sentido do teatro: contribuições para uma história cultural de programas teatrais contemporâneos

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Por: Henrique Buarque de Gusmão

Este artigo analisa algumas tensões observadas entre textos programáticos escritos por encenadores contemporâneos, tendo como ponto de partida a disputa pelo sentido do teatro. Constantin Stanislavski, Bertolt Brecht, Antonin Artaud e Jerzy Grotowski construíram sentidos de teatro de diversos modos e, no mesmo movimento, tornaram suas proposições extemporâneas ou trans-históricas. A partir dos sentidos propostos, os textos conferem lugares e funções específicos a atores, dramaturgia, cenógrafos, dentre tantas outras figuras, o que faz com que programas teatrais possam ser identificados na leitura desses materiais. Finalmente, é analisada a questão da "fronteira do teatro", presente nos textos analisados, e que marca a história do teatro contemporâneo.

O despertar de Orfeu: prazer e lazer dos trabalhadores de Macapá (1944-1964)

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Por: Sidney Lobato

Neste texto, objetivamos analisar a solidariedade constituída pelos trabalhadores de Macapá, nos momentos de prazer e diversão, entre os anos de 1944 e 1964. Argumentamos que esses momentos propiciaram à classe trabalhadora macapaense efêmeras experiências de emancipação das interdições impostas pelos precários meios de sobrevivência e pelas investidas moralizadoras do Estado e da Igreja.

Associativismo e política no Rio de Janeiro do Segundo Império: o Clube Ginástico Português e o Congresso Ginástico Português

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Por: Victor Andrade de Melo; e Fabio de Faria Peres

No Brasil do século XIX, em muitas cidades, inclusive na capital, portugueses criaram agremiações dos mais diversos perfis. Considerando que essas iniciativas podem ser entendidas como uma estratégia de afirmação e conformação da comunidade lusitana no país, este artigo tem por objetivo analisar as trajetórias do Clube Ginástico Português e do Congresso Ginástico Português, procurando discutir tanto sua articulação com o cenário político do Segundo Império quanto os conflitos e tensões existentes entre os lusitanos que na sociedade da Corte se estabeleceram. Para alcance do objetivo, como fontes foram utilizados periódicos publicados no Rio de Janeiro entre 1868, ano de fundação do Clube Ginástico Português, e 1889, ano em que as duas agremiações se reconciliaram, depois de mais de uma década de conflitos. Além disso, foram consultados os estatutos disponíveis das duas sociedades. Palavras-chave: associativismo; política; Segundo Império; portugueses; ginástica.

Histórias de um lugar onde “preconceitos raciais nunca houve”: os negros nas matas do Rio Grande do Sul (1889

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Por: Marcio Antônio Both da Silva - Universidade Estadual do Oeste do Paraná

O lugar, as ações e a inserção social das populações negras no contexto da região de matas do Rio Grande do Sul durante o período da Primeira República são a temática central abordada neste artigo. Com base na atual produção historiográfica produzida sobre o assunto e por meio da análise de situações vividas por homens e mulheres negras descritas em processos-crime movidos nas comarcas dos municípios de Cruz Alta, Palmeira das Missões e Santo Ângelo, busco discutir e conhecer a realidade vivida por tais populações em uma região que na época foi objeto de um intenso processo de povoamento. Palavras-chave: negros; pós-abolição; preconceitos; liberdade; fronteira agrária.

Os lugares do crime: topografia criminal e imaginário social em Paris no século XIX

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Por: Dominique Kalifa

Tradução de Deivy Ferreira Carneiro. Em Paris, como em vários outros lugares, os locais ocupam um lugar decisivo na apreensão das realidades e do imaginário do crime. No entanto, a cidade foi, ao longo do século XIX, o objeto de amplas transformações sociais e urbanas, sintetizadas pelos projetos de Haussmann, o que afetou profundamente a topografia do “vício” e da delinquência. São essas evidências, os deslocamentos da violência e da criminalidade pelo espaço urbano, e especialmente a densidade dessa topografia, que este artigo procura analisar. Apoiado por um corpus essencialmente literário, formado por textos de grande difusão (romances, folhetins, crônicas parisienses, folhetos e materiais baratos) que dão tanta importância à questão do crime e que desempenham um papel decisivo na transmissão da memória dos lugares, este texto observa como o imaginário social se adapta a essas transformações, bem como analisa a memória de lugares, com destaque para a forte autonomia das representações de Paris.

Resenhas

Os (des)caminhos de Clio em terras norte-americanas: episódios de uma história da história nos Estados Unidos

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Por: Arthur Lima de Avila

Resenha do livro: KLEIN, Kerwin Lee. From history to ­theory. Berkeley: University of California Press, 2011.

Em busca de uma “poética diplomática”

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Por: João de Azevedo e Dias Duarte - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Resenha do livro: HAMPTON, Timothy. Fictions of Embassy: literature and diplomacy in early modern Europe. Ithaca: Cornell University Press, 2012.

O legado antigo entre transferências e migrações

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Por: Cássio Fernandes

Resenha do livro: WARBURG, Aby. A renovação da Antiguidade pagã: contribuições científico-culturais para a história do Renascimento europeu. Tradução de Markus Hediger. Rio de Janeiro: Contraponto, 2013.

Histórias de fantasmas para gente grande

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Por: Julia Ruiz Di Giovanni

Resenha de: DIDI-HUBERMAN, Georges. A imagem sobrevivente: história da arte e tempo dos fantasmas segundo Aby Warburg. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Contraponto; Museu de Arte do Rio, 2013.

Um combate em dois fronts

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Por: Raul Amaro de Oliveira Lanari

Resenha do livro: CHOAY, Françoise. O patrimônio em questão: antologia para um combate. .Belo Horizonte: Fino Traço, 2011.

Santuários e romarias na Argentina: dinâmicas sociais, políticas e culturais

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Por: William de Souza Martins - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Resenha do livro: FOFELMAN, Patricia. Ceva. Mariela. ­Touris. Claudia. El culto mariano en Luján y San Nicolás: religiosidad e historia regional. Buenos Aires: Biblos, 2013.

As marcas da história na guerra civil síria

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Por: Muna Omran - UFF - Universidade Federal Fluminense

Resenha do livro: HALL, Clement M. The history of Syria: 1900-2012. Boston: Charles River Editors, 2013.

O avesso do avesso: as mazelas da endogamia

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Por: João Cezar de Castro Rocha

Em resposta pouco polida a uma notícia dedicada à Crítica da razão pura, Immanuel Kant acusou o resenhista de não ter lido o texto, no entanto mencionado com desenvoltura. O imprudente crítico confundira os conceitos de transcendental e transcendente! "Sem comentários": eis a conclusão kantiana. Pois é. Lembrei do episódio ao ler a resenha que Lidiane Soares Rodrigues achou por bem compor sobre meu livro Machado de Assis: por uma poética da emulação. A resenhista Rodrigues, contudo, é mais astuta e pinça, aqui e ali, números de página a fim de afiançar a seriedade com que se empenhou no exercício crítico. No entanto, ela teria feito melhor uso de seu talento adquirindo familiaridade com os estudos literários, em geral, e a obra machadiana, em particular. Vejamos. No primeiro parágrafo de sua "resenha", a autora faz gala de erudição invejável listando os "oito" romances machadianos. Oito? Isso mesmo: na peculiar matemática literária da resenhista Rodrigues, depois de Dom Casmurro, Machado publicou Memorial de Aires... O que aconteceu com Esaú e Jacó? Simplesmente o romance desaparece na enumeração bem informada da severa resenhista. Há mais. No final do primeiro parágrafo, a resenhista acredita transcrever meu texto: "(...) eis a embocadura da 'metamorfose' do 'sempre solícito Machadinho' no 'Machadão que se admira em todo o mundo' (p. 13)". 1 Creio que as aspas indicam que estou sendo citado-e agradeço a deferência. No entanto, não escrevi Machadão, porém o mais modesto "Machado". Ora, "De Machadinho a Brás Cubas" é o título de ensaio seminal de Augusto Meyer, no qual ele se refere ao "Machadão".

8 ½

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Por: Lidiane S. Rodrigues

Li a resposta de João Cezar de Castro Rocha e pus-me a pensar. Haveria muitas maneiras de elaborar uma tréplica. De modo maduro e sucinto: "a autora optou por fazer o mesmo que Kant". De modo maduro e menos sucinto (é de bom tom não parecer inatingível): "Numa festa, dois acadêmicos começam a discutir. A certa altura, o clima esquenta. Um deles desiste de pensar e de beber. Joga o vinho no rosto do outro. Este, lentamente, tira o lenço do bolso, tenta dar um jeito na lente dos óculos. E diz: bela intervenção". Nenhuma das duas me agradava por completo. Seria participar do comércio das citações de corredores e congressos. Não. Como o caso dá o que pensar, esbocei uma resposta digna da pesquisadora que pretendo ser, considerando a bibliografia que tenho como referência, particularmente em sociologia do conhecimento e em história das controvérsias. Aprecio a reflexão que vou elaborando, volto à réplica e logo me dou conta de que não estou escrevendo uma "tréplica", mas algo entre artigo, ensaio, balanço bibliográfico. Além disso, sou advertida de que, apesar da elegância da atitude, o texto poderia ser entendido como um exercício de distanciamento, como se eu não estivesse implicada no que examino. De fato, a réplica de Castro Rocha é bela por não conter suas emoções, seria de bom tom demonstrar as minhas. Receei irritar ainda mais meu interlocutor. Sinceramente, nada mais estranho às minhas intenções, tanto com a resenha quanto com a tréplica. Não. Há entretanto outros motivos pelos quais esta última modalidade de resposta também não poderia ser adotada. Passado o momento inicial de lisonjeio-nunca fui citada e "criticada" tantas vezes num mesmo texto-, percebo o óbvio ululante: minha tese não foi lida, o texto dela foi citado-e, infelizmente, uma coisa não implica necessariamente a outra. Ademais, os problemas teóricos, metodológicos e interpretativos, nada implícitos, às minhas resenhas escapam inteiramente ao meu interlocutor. E, por motivos que prefiro não especular, ele não concebe a possibilidade de haver autonomia intelectual em relação àqueles que se elogia e se aprecia. Confissão involuntária disso encontra-se na passagem em que Castro Rocha chega mesmo a perguntar como é possível que eu não esteja de acordo com quem "elogio" e me cobre coerência com o seu pressuposto a meu respeito, segundo o qual reconhecimento é sinônimo de submissão. Se a modalidade de excelência intelectual que elegi, pela qual trabalho com afinco, pagando o alto preço que ela implica, está ausente de seu horizonte de atitudes possíveis, não há explicação que o faça compreendê-la. Com efeito, a "réplica" me responde menos do que parece querer me atingir. Como respondê-la sem alimentar seu princípio motriz? Cogito não responder.

Entrevistas

A história social atlântica de Stuart Schwartz

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Por: Andrea Daher - UFRJ

A revisão, a edição final e a apresentação desta entrevista foram feitas por Andrea Daher, professora de história da Universidade Federal do Rio de Janeiro.