O livro de Damião de Góis sobre a Etiópia

Artigonº 52 / V. 242023

Resumo

Em 1533, o humanista português Damião de Góis esteve com o monge etíope Sāgā za-Ab em Lisboa, em conversas sobre a religião cristã, pedindo que ele fizesse uma síntese de seus dogmas e prometendo verter o texto para o latim, o que resultou no opúsculo Fides, religio moresque Aethiopum (1540). Góis, além do testemunho de Sāgā, acrescentou ao livro cartas régias e eclesiásticas da diplomacia entre Portugal e Etiópia, a partir de uma colagem de textos, em que vozes distintas, em diálogo, revelam interesses que se complementam ou polemizam. A crítica tem sugerido que, nesse livro, Góis propõe ecumenismo e tolerância religiosa. O presente artigo sugere, ao contrário, que ele, embora dê voz à Igreja Copta da Etiópia, faz interferências no texto, propondo que os etíopes se sujeitem às verdades católicas, para que a incorporação da Etiópia ao plano do catolicismo facilite antigos propósitos políticos: ocupar terras próximas do mar Vermelho e anular os projetos comerciais dos turcos.

Palavras-chave:

  • Renascimento
  • Expansão Portuguesa
  • Damião de Góis

Como citar este artigo

NEPOMUCENO, Luís André. O livro de Damião de Góis sobre a Etiópia. Topoi (Rio J.), v. 24, n. 52, p. 335-354, 2023.