nº 8 / V. 5

Janeiro - Junho 2004

Artigos

Inquisição, pacto com o demônio e “magia” africana em Lisboa no século XVIII

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Por: Didier Lahon

No início do século XVIII a escravidão chegou ao seu apogeu em Portugal, especialmente em Lisboa. Até 1761, um milhar de cativos africanos, ou mais talvez, por ano, desembarca no cais da capital. Vêm diretamente da África ou do Brasil onde residiram alguns anos. Começa para eles um longo processo de adaptação, de reconstrução da identidade e do imaginário. Por detrás da fachada das sete confrarias negras, entre as quais duas eram de nações, que apresenta a versão oficial e enquadrada no catolicismo barroco e procura produzir e apresentar negros à alma branca, se esconde uma outra realidade: a persistência das crenças africanas tradicionais, articuladas ou misturadas às tradições populares portuguesas, às quais, respondendo à sua procura de poderes mágicos diferenciais e cumulativos, as populações brancas mostram-se sensíveis. Os processos da Inquisição revelam assim que feiticeiros, mágicos, mandingueiros e curandeiros negros inserem-se, cada um à sua maneira, na cadeia complexa dos agentes legítimos e ilegítimos do sagrado.

A cura do corpo e a conversão da alma – conhecimento da natureza e conquista da América, séculos XVI e XVII

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Por: Heloisa Meireles Gesteira

O artigo privilegiará a análise do manuscrito apócrifo Curiosidad un libro de medicina escrito por los jesuítas en las misiones del Paraguay, 1580, recentemente encontrado na Biblioteca Nacional. O objetivo deste trabalho é demonstrar como havia uma relação orgânica entre a produção de conhecimento sobre a natureza e o processo de conquista da América durante os séculos XVI e XVII. A “botânica médica” aparece como um campo de saber privilegiado, pois esse conhecimento era realizado de forma sistematizada e, no caso específico da América portuguesa, controlado sobretudo por agentes sociais interessados na edificação de uma sociedade no Novo Mundo, destacando-se os missionários da Companhia de Jesus. Num primeiro momento elucidaremos o papel da cura no projeto jesuítico de conquista da América. Finalmente, analisaremos as concepções médicas compartilhadas pelos jesuítas. O registro das informações sobre as virtudes das plantas e de algumas partes de animais para uso medicinal foi feito de maneira sistemática, o que levou os jesuítas a acumularem um saber importante para a manutenção da sociedade colonial.

Redes de poder e conhecimento na governação do Império Português, 1688-1735

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Por: Maria de Fátima Silva Gouvêa; Gabriel Almeida Frazão; e Marília Nogueira dos Santos

Nos últimos anos, a historiografia tem chamado a atenção para a complexidade dos mecanismos que possibilitaram a consolidação do império português. O estudo aqui apresentado pretende contribuir em favor dessa tendência, destacando, para isso, o papel fundamental dos oficiais régios na governação portuguesa no ultramar. Destaca-se o fato de estes oficiais estarem engajados em redes de poder, que lhes possibilitaram defender seus interesses pessoais, mas não só. Ao destacar-se a amplitude dessas redes, que chegavam mesmo a atingir membros da Igreja, pode-se perceber como foi se formando uma memória administrativa. Isso possibilita a identificação destes homens enquanto instrumentos de poder e de produção de conhecimento, bem como possibilita vê-los enquanto um dos pilares que garantiam sustentação do império português.

A prisão dos ébrios, capoeiras e vagabundos no início da Era Republicana

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Por: Myrian Sepúlveda dos Santos

O artigo tem como objetivo investigar duas tentativas de implementação da Colônia Correcional de Dois Rios, na Ilha Grande, durante os primeiros anos da era republicana. Apesar de propostas correcionais e práticas disciplinares de encarceramento serem implementadas em conformidade com práticas que se difundiam em países europeus e nos Estados Unidos, elas tomaram no Brasil aspectos organizacionais bem mais mundanos, em conformidade com objetivos, valores e crenças presentes entre as autoridades responsáveis pelo funcionamento das prisões e entre os próprios internos. Os documentos utilizados foram decretos do legislativo e do executivo, e diversos relatórios ministeriais, de chefes de polícia e diretores do presídio.

O pós-abolição como problema histórico: balanços e perspectivas

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Por: Ana Maria Lugão Rios; e Hebe Maria Mattos

O artigo discute as variáveis mais importantes nos processos de pós-abolição nas Américas, dando destaque as expectativas alimentadas pela última geração de escravos e suas atitudes nas primeiras décadas após o fim da escravidão. Procura inserir o caso brasileiro e sua especificidade e se detém na análise das atitudes dos libertos do sudeste no sentido de proteger a família, estabelecer uma “boa reputação”, exercer o pátrio poder e valorizar aspectos importantes da cidadania. Utiliza diversas fontes, principalmente o registro civil, jornais e depoimentos de netos de escravos.

Resenhas

Micro-história e tráfico transatlântico de escravos

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Por: David Eltis - Emory University

Resenha do livros: HARMS, Robert W. The Diligent: A Voyage Through the Worlds of the Slave Trade. Nova Iorque: Basic Books, 2001, 448 pp.; MOUSER, Bruce L. A Slaving Voyage to Africa and Jamaica: The Log of The Sandown, 1793-1794. Bloomington: Indiana University Press, 2002, 224 pp.

Ao sol carta é farol

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Por: Francisca Nogueira de Azevedo

Resenha do livro: GOMES, Ângela de Castro (Org.). Escrita de si, escrita da história. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004, 378 pp.