nº 7 / V. 4
Julho - Dezembro 2003
Artigos
O Pasquim e Madame Satã, a "rainha" negra da boemia brasileira
Este artigo analisa como e por que, no início da década de 1970, os editores de O Pasquim ressuscitaram Madame Satã da obscuridade e o promoveram como uma representação exótica e nostálgica da boemia carioca dos anos 30. As declarações francas de Madame Satã sobre sua homossexualidade e sua personalidade de malandro capturaram a imaginação dos boêmios modernos da Zona Sul que podiam aceitar suas bravatas viris ao mesmo tempo que os editores faziam piada e rejeitavam os movimentos emergentes gay e feminista que começavam a se implantar no Brasil.
A população no passado colonial brasileiro: mobilidade versus estabilidade
O artigo apresenta diretrizes teóricas da história da população da América lusa colonial tendo como eixo narrativo – sem resvalar numa história regional – os habitantes dos campos paranaenses, no quadro cronológico do século XVIII.
A produção política da economia: formas não-mercantis de acumulação e transmissão de riqueza numa sociedade colonial (Rio de Janeiro, 1650-1750)
Este artigo procura analisar as formas não-mercantis de acumulação existentes na sociedade colonial fluminense entre 1650 e 1750. Nosso objetivo é tanto o de conhecer as formas concretas assumidas por esse tipo de acumulação quanto aquilatar sua importância relativa, em comparação com a acumulação de capital em sentido estrito. Esse período é marcado por intensas transformações econômico-sociais na capitania, fruto tanto de sua evolução interna quanto de fenômenos que podemos considerar até certo ponto externos, como a descoberta de ouro e a conseqüente colonização do interior da América portuguesa. Assim, buscamos perceber igualmente como tão importantes transformações influenciaram nas estratégias de acumulação dos diversos grupos sociais locais no período.
Fundando a nação: a representação de um Brasil barroco, moderno e civilizado
O artigo aborda as concepções que fundamentaram as práticas brasileiras de preservação cultural, especialmente relacionadas ao pertencimento à civilização ocidental, consagrado pela associação inédita entre as formas e princípios renovadores do barroco e a produção arquitetônica moderna. Essa associação será fundamentada pela noção de universalidade da arte e da cultura brasileiras, partilhada por modernistas como Rodrigo Melo Franco de Andrade, Carlos Drummond de Andrade e Lucio Costa, como funcionários do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
A língua brasileira e os sentidos de nacionalidade e mestiçagem no Império do Brasil
No contexto da formação do Estado Imperial no Brasil, a problemática da língua foi incorporada pelas reflexões sobre a nacionalidade, e pode ser considerada como um dos campos produtores de sentidos em torno da mestiçagem. Especificamente, o artigo pretende discutir aspectos da polêmica sobre a “língua brasileira” em meados do século XIX, tendo como eixo três artigos — “Uma resposta”, de Fernandes Pinheiro, “A língua brasileira”, de Joaquim Norberto, e “Poesia brasileira”, de Juan Valera — publicados na revista Guanabara (Rio de Janeiro, 1849-1856), e procuraremos, simultaneamente, outros indícios capazes de revelar as tensões políticas, sociais e culturais envolvidas no processo de formação da língua nacional.
Resenhas
Retratos do Front
Resenha do livro: SALLES, Ricardo. Guerra do Paraguai, Memórias e Imagens. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 2003. 254 p.
A guerra literária da Independência
Resenha do livro: NEVES, Lúcia Maria Bastos Pereira das. Corcundas e constitucionais: a cultura política da Independência (1820-1822). Rio de Janeiro: Revan / Faperj, 2003. 477 p.
Uma princesa solitária
Resenha do livro: AZEVEDO, Francisca Nogueira de. Carlota Joaquina na corte do Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
No quilombo, uma flor?
Resenha do livro: SILVA, Eduardo. As camélias do Leblon e a abolição da escravatura: uma investigação de história cultural. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, 136 p.
Entrevistas
Entrevista
Entrevista com o historiador Fernando Bouza, titular de História Moderna da Universidade Complutense de Madrid. De modo original, forjou as ferramentas necessárias para compreender a mobilização dos media pelos representantes da cultura política do período filipino, como se pode ler em Imagen y propaganda. Capitulos de historia cultural del reinado de Felipe II e em Portugal no tempo dos Filipes. Política, cultura, representações (1580- 1668). Atento, portanto, às formas de expressão, aos procedimentos orais e icônicos aplicados à circulação social de impressos e manuscritos nos séculos XVI e XVII, suas pesquisas resultaram em mais três importantes livros, publicados nos últimos quatro anos: Comunicación, conocimiento y memoria en la España de los siglos XVI y XVII; Corre manuscrito. Una historia cultural del Siglo de Oro e Palabra e imagen en la corte. Cultura oral y visual de la nobleza en el Siglo de Oro.
