nº 4 / V. 3

Janeiro - Junho 2002

Artigos

Dezessete: a Maçonaria dividida

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Por: Evaldo Cabral de Mello

O artigo analisa a especificidade e peculiaridade da maçonaria pernambucana, suas divergências em relação aos pedreiros-livres fluminenses, e a participação dos mações na revolução de 1817. Fugindo ao controle do Grande Oriente Lusitano, a maçonaria de Pernambuco esteve no centro dos projetos para o novo governo da capitania, depois da vitória da insurreição. As diferenças entre as várias correntes políticas que abrigava fez com que as propostas para o novo regime pudessem variar muito, passando da radicalidade republicana à restauração do pacto dos Bragança com a capitania. Longe de ser separatista, o movimento pretendia preservar a autonomia local no âmbito do Estado que surgisse com o colapso da monarquia absoluta, fosse este um Império constitucional luso-brasileiro ou uma monarquia liberal na antiga América Portuguesa.

Papéis incendiários, gritos e gestos: a cena pública e a construção nacional nos anos 1820-1830

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Por: Marco Morel

A proliferação de manifestações como papéis chamados de incendiários, além de vozes, gritos e gestos nas ruas da capital do Império (Rio de Janeiro) nas décadas de 18201830, marca uma série de transformações e também permanências dos espaços públicos na polis. Da mesma forma, a sala do Teatro, na Corte, aparece como cena desta teatralização da política, em meio a tais expressões manuscritas, verbais e gestuais (que permanecem após a consolidação da imprensa periódica). Em geral elas continham aquilo que não podia ser impresso (ou mesmo falado) dentro dos limites vigentes e, ainda, permitiam envolver setores mais amplos do que o público habitualmente leitor ou redator. Destaca-se a importância de tais manifestações públicas para a política vivida no cotidiano, numa sociedade caracterizada pela comunicação oral e visual e num momento de construção da ordem nacional. As fontes utilizadas são: relatos de diplomatas franceses e jornais da época.

O Império de Santo Elesbão na cidade do Rio de Janeiro, no século XVIII

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Por: Mariza de Carvalho Soares

O artigo analisa a especificidade das formas de organização da geração de escravos africanos vindos da África Ocidental para a cidade do Rio de Janeiro no século XVIII. A autora mostra como esses africanos se reorganizam no interior das irmandades católicas destinadas a homens pretos e como garantem espaços de organização étnica e reprodução do grupo.

A dinâmica demográfica de Luanda no contexto do tráfico de escravos do Atlântico Sul, 1781-1844

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Por: José C. Curto; e Raymond R. Gervais

Este artigo objetiva, em primeiro lugar, reconstruir a história demográfica de Luanda entre 1781 e 1844, por meio do manejo de um grande número de censos coevos, apontando, em última instância, para a possibilidade de reconstituir a história da população de certas regiões do continente africano para o período anterior a 1900. Em segundo lugar, no caso específico deste centro urbano, o maior exportador de escravos da costa ocidental, indica-se que a sua história populacional não pode ser apreendida unicamente por meio do manejo de variáveis como os altos graus de mortalidade, resultantes das secas, das vagas de fome, das epidemias e do próprio processo de escravização. Deve se levar em conta, ainda, a dinâmica demográfica dos portos escravistas no âmbito maior do sistema do Atlântico Sul, particularmente a economia política de seu maior mercado, o Rio de Janeiro.

Resenhas

Reis negros coroados

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Por: José Roberto Pinto de Góes

Resenha do livro: MELLO E SOUZA, Marina de. Reis negros no Brasil escravista. História da festa de coroação de Rei Congo. Belo Horizonte, Editora UFMG, 2002.

Ditadura militar e concordata moral

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Por: Carlos Fico - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Resenha do livro: SERBIN, Kenneth P. Diálogos na sombra: bispos e militares, tortura e justiça social na Ditadura. Tradução de Carlos Eduardo Lins da Silva. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

Entrevistas

Pierre Bourdieu e a história

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Por: Roger Chartier; e José Sérgio Leite Lopes

Conferência debate entre Roger Chartier e José Sérgio Leite Lopes, ocorrida em 30 de abril de 2002, a convite do Programa de Pós-graduação em História Social da UFRJ. A transcrição deste debate foi feita por Ana Luiza Beraba e Virna Virgínia Plastino.