nº 39 / V. 19

Setembro - Dezembro 2018

Artigos

As novas realidades das “fictâncias” de Guimarães Rosa

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Por: Camila Rodrigues - Universidade de São Paulo

Neste artigo propomos abordar o papel de João Guimarães Rosa na literatura de seu tempo, examinando a obra Primeiras estórias (1962) e problematizando sua relação com a História a partir de seu conto inicial e também do final, que são protagonizados por Menino, o qual teria viajado ao local onde se edificava a grande cidade, remetendo à construção de Brasília e ao processo histórico de urbanização do Brasil, que ali é visto a partir do olhar de uma criança. Nossa análise centra-se na questão da ficção como mediadora engendradora dos discursos da Literatura e da História, que é ideia defendida por teóricos como Luiz Costa Lima e Carlo Ginzburg. Nossos resultados sublinham que a perspectiva literária rosiana, ao abordar a História, não reproduz o discurso da historiografia, mas aposta em uma criativa reapresentação.

Casamentos indígenas, casamentos mistos e política na América portuguesa: amizade, negociação, capitulação e assimilação social

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Por: Vania Maria Losada Moreira

A interferência colonial nos casamentos dos índios representa um capítulo importante da história colonial brasileira, pois modificou a estrutura e a dinâmica das sociedades nativas e abriu importantes caminhos para viabilizar os processos de conquista e colonização. O objetivo do artigo é analisar alguns aspectos deste problema, explorando especialmente dois momentos da política colonial: a imposição do casamento monogâmico cristão, inaugurado durante o regime das missões, e os incentivos aos casamentos mistos entre índios e “brancos”, iniciado oficialmente com o Diretório pombalino.

O lugar de quem fala ou sobre a autoria e o tempo

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Por: Kleiton de Sousa Moraes

A construção de autoridade sobre textos impressos passa pelo processo de distinção do nome em determinado regime de escrita. Acompanhando a trajetória do modinheiro e poeta Catulo da Paixão Cearense, o artigo debate as estratégias mobilizadas pelo escritor a fim de tornar-se autor de sua obra e poeta de destaque no campo literário brasileiro da primeira metade do século XX. A historicidade das práticas de escrita de um “outro” que é dado a ver no texto — o sertanejo popular — é fundamental para a compreensão da representação de uma autoria construída pelo poeta em sua obra. O caráter autoral da obra de Catulo é progressivamente consolidado a partir de um reconhecimento das regras que regem o regime de escrita e de uma trajetória incomum no mundo letrado de então.

Palavras capitais na história dos reis, dos infantes e dos navegadores

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Por: Susani Silveira Lemos França

No Portugal do século XV, as crônicas e os relatos de viagem dedicados ao passado dos reinos e ao avanço por terras africanas mostram-se estruturados a partir de certas ideias gerais, como ordenar, não deixar esquecer, ensinar os que hão de vir e evitar toda e qualquer falsidade. Esses dois tipos de narrativas com função ordenadora do passado lançam mão de um jogo vocabular relativamente homogêneo em torno de algumas palavras, a saber: a graça, a virtude e a obediência. Tais palavras, como será examinado neste estudo, por sua recorrência, revelam-se elos ou eixos moralizadores para justificar e ornar as ações dos protagonistas das histórias de então: os reis, os infantes e os navegadores.

Teatro amador no Rio de Janeiro: associativismo dramático na construção da cidadania

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Por: Luciana Penna-Franca

Entre 1861 e 1930, 196 associações dramáticas amadoras intituladas sociedades, grêmios, clubes ou grupos atuavam no Rio de Janeiro. Este artigo pretende analisá-las como formas associativas de expressão que lutavam por algum tipo de reconhecimento, maior instrução, melhorias urbanas, sociais ou trabalhistas ou exercitavam práticas de diversão na construção e na afirmação de sua cidadania no cotidiano da capital. Espalhadas por toda a cidade, reuniam operários, funcionários públicos, militares, advogados, banqueiros do jogo do bicho; indivíduos pertencentes a diferentes grupos sociais e com os mais diversos objetivos, mas com uma prática comum: fazer e assistir teatro.

Valentim Gomes Tolentino: a mobilidade econômica e social vivenciada por um pardo no século XIX (Zona da Mata Mineira, 1817-1855)

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Por: Ana Paula Dutra Bôscaro; e Elione Silva Guimarães

O texto discute as possibilidades de mobilidade econômica e social vivenciadas pela população de pardos livres em Minas Gerais na primeira metade do século XIX, quando a província possuía a segunda maior população de mestiços do Brasil. A questão foi abordada a partir da trajetória do pardo Valentim Gomes Tolentino, assentado no arraial de Santo Antônio do Paraibuna, futuro município de Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira, nas margens do Caminho Novo. No período em análise, a localidade destacava-se pela produção de alimentos e por uma incipiente economia cafeeira. Exercendo as atividades de tropeiro, lavrador, prestamista, fazendeiro e comerciante, Tolentino alcançou prestígio e riqueza, sendo um dos maiores proprietários de escravos de sua localidade em 1831 e possuidor de mais de uma sesmaria de terras. Ele ostentou a patente de alferes e era senhor de uma fortuna considerável quando faleceu em 1848.

Resenhas

Nacionalismo revolucionário e a política do discurso no México

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Por: José Antonio Ferreira da Silva Júnior

Resenha do livro: SHEPPARD, R. A Persistent Revolution: History, Nationalism, and Politics in Mexico since 1968. Albuquerque: University of New Mexico Press, 2016. 392 p.

A normatização dos corpos e a regulação dos gêneros no processo de transição do feudalismo para o capitalismo

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Por: Marcus Reis - UNIFESSPA

Resenha do livro: FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa. Mulheres, corpo e acumulação primitiva.Trad. de Coletivo Sycorax. São Paulo: Elefante, 2017. Tomo I: Migraciones. Ciudad de México: Palabra de Clío, 2017. 194p.