nº 35 / V. 18

Maio - Agosto 2017

Artigos

A conquista de Alandalus segundo o relato de ʿAbdulmalik Bin Ḥabīb (m. 238 H./853 d.C.)

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Por: Mamede Jarouche - Universidade de São Paulo

O presente trabalho consiste numa tradução anotada, precedida de uma nota explicativa, do capítulo relativo à conquista da Península Ibérica pelos muçulmanos no livro Kitāb Attārīḫ (“Livro de História”), de Ibn Ḥabīb, historiador árabe andaluz do século IX. Trata-se do primeiro livro de história escrito por um árabe daquela região e a crônica a respeito da sua conquista pelos muçulmanos é, ao lado de outra crônica que durante algum tempo foi equivocadamente atribuída a Ibn Qutayba, também do século IX, a mais antiga que chegou até os dias de hoje. As notas limitam-se à tentativa de esclarecer eventuais obscuridades do original e dar informações sobre personagens e fatos históricos que, supôs-se, não ficariam claros para o leitor brasileiro.

Ernst Jünger e o demônio da técnica: modernidade e reacionarismo

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Por: Victor de Oliveira Pinto Coelho

O tema do artigo é a obra de Ernst Jünger no entreguerras, em especial o ensaio O trabalhador (1932). Nosso foco é apontar, na apropriação jüngeriana da técnica, seu caráter de mitologia política antiliberal. Dialogamos com o horizonte político e intelectual da época (incluindo autores como Simmel, Kracauer e Benjamin) buscando estabelecer um quadro de problematização sobre a técnica, na Alemanha, onde emerge também o chamado “Movimento Revolucionário Conservador”. Apontamos, na obra de Jünger, a relação entre o “tipo” ou “figura do trabalhador” com a noção de sacrifício da individualidade em favor da mobilização total da técnica, nos termos do modernismo reacionário. Por fim, dado o fato de que em O trabalhador não há referências a autores e obras, levantamos a hipótese de um diálogo subjacente com uma tradição intelectual que vem do romantismo, hipótese que conduzimos mediante uma confrontação da obra de Jünger com o tema do “acabamento assintótico” (Lacoue-Labarthe) – a impossibilidade, nos tempos modernos, de sustentar uma harmonia preestabelecida.

Região, população e transportes em Minas Gerais na Era Vargas. As contradições da era ferroviária e as correlações entre infraestrutura viária, território heterogêneo e distribuição e mobilidade populacionais

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Por: Marcelo Godoy - UFMG - The Federal University of Minas Gerais; Lidiany Barbosa; Thiago Camini; Diego Fonseca; e Danielle Correa

O artigo consolida os resultados de pesquisa que se fundamentou em um expressivo conjunto de dados inéditos sobre o sistema de transportes de Minas Gerais na Era Vargas e que se orientou por dois objetivos principais: i. demonstrar as contradições da era ferroviária em formação regional heterogênea e as decorrentes implicações nos processos de integração intra e inter-regional; ii. estabelecer conexões entre o caráter e o alcance da primeira modernização dos transportes e os aspectos de estrutura e dinâmica demográfica. Constatou-se a persistência da infraestrutura viária tradicional mineira no final da década de 1930. Os processos de industrialização, urbanização, expansão do capitalismo no campo, mudança social e migrações intra e inter-regionais, em curso no Brasil desde as primeiras décadas do século XX, foram condicionados em Minas Gerais pelo grau de desenvolvimento dos transportes ou pelo não rompimento de padrões tradicionais de circulação, em geral, e de mobilidade populacional, em particular.

Las relaciones internacionales y la conmemoración del Primer Centenario de la Independencia en el Ecuador, 1909. Entre las reformas liberales y las colonialidades

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Por: Gerson Galo Ledezma Meneses

Basados en fuentes documentales, como libros y prensa, publicadas en la época del I Centenario de la Independencia en Ecuador, constatamos que a la Exposición Nacional realizada en Quito, en 1909, fueron invitados varios países, de los cuales comparecieron España, Francia, Estados Unidos, Perú, Colombia y Chile, entre otros. Pretendemos verificar los intereses que tuvieron esas naciones al presentarse en la conmemoración y cuáles fueron los objetivos del país andino al invitarlos. Destacamos la presencia de España y la forma cómo su reconquista cultural sobre el país, así como de otros de América Latina, habría influido en la guerra que la sociedad ecuatoriana enprendió contra las reformas liberales de Eloy Alfaro.

“Hail Arminius! O Pai dos Alemães!”: a construção mítica da Unificação Alemã entre 1808 e 1875

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Por: Daniele Gallindo Gonçalves Silva; e Mauricio da Cunha Albuquerque

Ao longo dos séculos, a Batalha de Teutoburgo tornou-se um dos eventos mais dramáticos da Antiguidade, inspirando diversos mitos fundadores e uma série de sentimentos de caráter nacionalista e patriótico. Hoje, contudo, sabemos que a vitória dos germanos sobre Roma pode ser compreendida pelo menos de duas formas: a primeira, do ponto de vista histórico; e a segunda, do ponto de vista mítico. Visando a compreender a relação entre o passado histó rico e o passado imaginado — e a importância deste para a formação dos Estados nacionais modernos —, buscamos neste artigo analisar a recepção da Batalha de Teutoburgo durante o período de Unificação Alemã, no intuito de compreender os processos de mitificação tanto da vitória germânica sobre o Império Romano, quanto da imagem de Arminius como herói nacional.

O encontro da militância com a vadiagem nas prisões da Ilha Grande

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Por: Myrian Sepúlveda dos Santos

A partir do estudo sobre prisões da Ilha Grande na primeira metade do século XX, este artigo investiga a construção de uma cultura punitiva que criminalizou grupos sociais que se encontravam em condições precárias de sobrevivência. O termo “vagabundo”, responsável pela prisão e maus tratos de milhares de indivíduos no período pós-abolicionista, esteve presente em leis e códigos penais, no pensamento de legisladores e em textos ditos científicos. O encontro entre lideranças políticas, adversárias do governo Vargas, e a dita vadiagem nas prisões da Ilha Grande evidenciou tratamentos diferenciados e a naturalização do conceito. Entrevistas com guardas penitenciários da Colônia Agrícola do Distrito Federal, construída em 1942, permitem indicar como essas classificações foram operacionais no interior do sistema prisional e como elas se desdobraram.

Discreto personagem do império brasileiro: Luís Pedreira do Couto Ferraz, visconde do Bom Retiro (1818-1886)

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Por: Begonha Bediaga

Analisa a trajetória de Luís Pedreira do Couto Ferraz, visconde do Bom Retiro e personagem da alta governança do Segundo Reinado, que, a despeito de sua participação em política e administração durante mais de 40 anos, ainda é pouco referido na historiografia. Couto Ferraz foi presidente de duas províncias, deputado em diversas legislaturas, ministro no Gabinete da Conciliação, senador e membro do Conselho de Estado, além de ter atuado na direção de diversas instituições. Destaca-se seu papel de amigo e confidente de Pedro II e propõe-se que sua discrição buscava ao mesmo tempo preservar o monarca e garantir proximidade e influência no poder, muitas vezes de forma indireta e pouco perceptível.

Beschrijving van Maranhão: a Amazônia nos relatórios holandeses na época da Guerra de Flandres (1621-1644)

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Por: Alirio Cardoso

Em 1641, período de maior internacionalização da guerra hispano-holandesa, os Países Baixos invadem a capitania do Maranhão, obedecendo a uma agenda estabelecida pelos Heren XIX com base em uma série de relatórios produzidos sobre a região. Esta documentação procura inserir a Amazônia portuguesa em um cenário global, mas também esclarece muito sobre as expectativas neerlandesas a respeito deste imenso território. O objetivo deste artigo é discutir, a partir dos relatórios neerlandeses, qual o papel de Maranhão, Grão-Pará e Cabo do Norte na última fase da chamada Guerra de Flandres, entre as décadas de 1620 e 1640.

Quem tem medo da ilusão biográfica? Indivíduo, tempo e histórias de vida

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Por: Maria da Glória de Oliveira

As críticas dirigidas à biografia, desde a denúncia do “ídolo do individual” de uma recém-fundada ciência sociológica, bem como a desqualificação do seu potencial cognitivo sob o argumento da “ilusão biográfica”, sempre tiveram por efeito perpetuar tanto uma noção esvaziada e empobrecida de narrativa, quanto da dimensão temporal constitutiva da identidade de um indivíduo. As reflexões que proponho neste artigo desenvolvem-se em dois momentos. No primeiro, faço um retorno ao conhecido argumento de desqualificação da credibilidade do biográfico que, em última instância, consistiu na atribuição do estatuto ilusório e fictício às construções identitárias, implícitas nas histórias de vida. Em seguida, aponto para uma problematização dessas interdições, com base nas perspectivas abertas pela noção de identidade narrativa formulada por Paul Ricoeur, cujo ganho crucial estaria em confrontar o indivíduo com a experiência do tempo.

Carta para o comitê editorial da Topoi

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Por: João Fragoso - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Carta do professor João Fragoso para o comitê editorial da Topoi.

Resenhas

A crítica como missão: formação e modernização na obra de Sérgio Buarque de Holanda

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Por: Henrique Pinheiro Costa Gaio

Resenha do livro: NICODEMO, Thiago Lima. Alegoria moderna: crítica literária e história da literatura na obra de Sérgio Buarque de Holanda. São Paulo: FAP-Unifesp, 2014.

Surfe, política e relações internacionais

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Por: Rafael Fortes - UNIRIO - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Resenha do livro: LADERMAN, Scott. Empire in Waves: a Political History of Surfing. Berkeley: University of California Press, 2014.