nº 32 / V. 17

Janeiro - Junho 2016

Artigos

Terra de ninguém: escravidão e direito natural no jovem Joaquim Nabuco

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Por: Ricardo Benzaquen de Araújo

O texto em pauta pretende se concentrar na análise do primeiro livro redigido por Joaquim Nabuco, A escravidão, no qual ele relata a sua experiência na defesa de um escravo julgado por crimes de morte em Pernambuco em 1869. Ao sustentar sua argumentação em uma dura crítica do cativeiro, formulada no contexto da tradição do Direito Natural, e na discussão de questões vinculadas aos conceitos de propriedade, fetichismo e despotismo, além de uma consideração da noção escolástica de pessoa, Nabuco torna possível não só um diálogo entre a teologia medieval e o liberalismo moderno, como também a preservação da vida do seu constituinte, que acaba tendo a sua pena comutada para a de prisão perpétua.

"O eterno fascismo italiano" e a resistência dos romances de Ignazio Silone, Carlo Levi e Vasco Pratolini

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Por: Gabriela Betella - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"

Silone, Levi e Pratolini são escritores especialmente citados pela postura antifascista na atividade política e na atitude literária. Três de suas principais narrativas representam experiências de contato com as desigualdades agravadas durante o regime, além de retratarem aspectos nefastos no comportamento autoritário dos representantes do Estado fascista. Publicados antes e depois da Segunda Guerra, com enredos cobrindo períodos que vão dos anos de 1920 aos de 1930, Fontamara (1933), Cristo si è fermato a Eboli (1945) e Cronache di poveri amanti (1947) compõem quadros camponeses e urbanos comprometidos com a população esquecida do sul do país e com as pessoas amedrontadas em plena irrupção do terror. Há uma tarefa intelectual de revirar o passado para explicar o presente, estabelecer uma posição, defender a verdade e oferecer uma solução estética para a expressão dela. Os filmes baseados nos romances, aos quais dedicamos uma breve digressão, deram continuidade à proposta e conseguiram problematizar as visões sobre os anos que se seguiram ao fascismo.

O revigorar do sacramento da Penitência em Portugal

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Por: Leandro Alves

O objetivo do presente ensaio é analisar como tratados e manuais de confissão, que circularam em Portugal do final do século XIV ao início do XVI, ensinavam os eclesiásticos do reino, sobretudo os confessores, a apregoar a palavra divina. Partindo do pressuposto de que os referidos livros foram decisivos na fixação e manutenção de regras concernentes ao uso dos sacramentos da Igreja, este trabalho busca interrogar em que medida a confissão penitencial passou a servir, nessa época, não só como ferramenta inquiridora, mas também como um dos principais veículos catequéticos. Mais precisamente, com ênfase, pois, sobre tais guias morais, este texto destaca o papel que os curas de almas precisavam desempenhar, em suas paróquias, para transmitir aos fiéis leigos as advertências e os conselhos elaborados por bispos e outros eclesiásticos cultivados desse período.

Mentalidade possessória e práticas rentistas dos jesuítas (América portuguesa, séculos XVI, XVII e XVIII)

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Por: Manoela Pedroza - UFF - Universidade Federal Fluminense

Este artigo busca esclarecer como os padres jesuítas encaravam a propriedade da terra e o rentismo fundiário, nos quase duzentos anos em que estiveram presentes na América portuguesa. Postulamos que os jesuítas carregaram para os trópicos sua “mentalidade possessória” europeia, mas que, a partir de novas experiências, eles fizeram escolhas e orientaram suas “práticas possessórias” frente aos direitos de propriedade seus e de outrem. Nosso objeto são os contratos de aforamento e enfiteuses de terras destes padres. Dada a existência de farta bibliografia sobre os jesuítas, consideramos ser possível nos fiar nas fontes nela referenciadas, que consistem, basicamente, em material do Fondo Gesuítico dos Arquivos da Companhia de Jesus, no Vaticano, e do Cartório Jesuítico, nos arquivos da Torre do Tombo, em Portugal.

A escrita atuante de Carl Einstein

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Por: Elena O'Neill - PUC-RJ

Poeta de vanguarda que se tornou historiador e teórico da arte, mediador cultural entre França e Alemanha, Carl Einstein colaborou com diversas publicações (entre as quais Die weißen Blätter, Die Aktion, Das Kunstblatt e Transition). Foi coeditor, com Georg Grosz, de Der blutige Ernst (1919) e, com Paul Westheim, de Europa-Almanach (1925), além de cofundador da revista Documents (1929) junto com Georges Bataille, Michel Leiris, Georges Wildenstein e Georges-Henri Rivière. Pertenceu ao círculo de Daniel-Henry Kahnweiler; conheceu Pablo Picasso, Georges Braque, Juan Gris e Fernand Léger. Este artigo se propõe a apresentar algumas das particularidades da escrita e do pensamento de Carl Einstein, sua coerência intelectual, assim como familiarizar o leitor com um âmbito intelectual excepcional, através da rede de diálogos, brechas e aberturas que seus escritos apresentam.

Juntas de Temporalidades, agentes locales y acceso a los recursos agrarios. La cesión y venta de los bienes de los jesuitas en la campaña de Buenos Aires y la Banda Oriental de fines del siglo XVIII

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Por: Maria Valeria Ciliberto

El estudio de la administración y aplicación de las temporalidades incautadas a los jesuitas en 1767 en las distintas regiones de Hispanoamérica ha destacado el peso determinante de las redes de vínculos locales en el acceso a los cargos y a la propiedad de estos bienes. Desde esta perspectiva la enajenación del patrimonio rural confiscado a la orden efectuada por la Junta de Buenos Aires ha merecido menor interés historiográfico. Nuestro trabajo se centra en el análisis de las operaciones de traspaso de usufructo y propiedad de las estancias de Areco y Las Vacas concretadas a fines del siglo XVIII. Nuestro propósito es identificar los diversos actores sociales intervinientes y avanzar en el análisis de las modalidades de gestión de las Juntas porteñas en un período en el que los cambios político-institucionales de la monarquía se articulan con un proceso regional de expansión agraria y de revalorización de los recursos productivos.

Celebridade e política do nome próprio: a historicidade do renome em Machado de Assis

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Por: Raquel Campos - Universidade Federal de Goiás

Respondendo ao convite inscrito no título de “Um homem célebre”, procura-se discutir o conto machadiano à luz do problema da historicidade da celebridade. Longe de ter sempre existido ou de ser um fenômeno atualíssimo, a celebridade – mostrou Antoine Lilti – é uma nova forma do renome, nascida na segunda metade do século XVIII em um contexto de crise das sociedades aristocráticas e de abertura do espaço público. Tal perspectiva conduz a aproximar a história do maestro Pestana não dos demais contos de temática musical, mas de “Fulano”, narrativa sobre um autêntico perito na arte da autopromoção, praticante de uma verdadeira “política do nome próprio”. Por meio da análise desses dois contos e da comparação de Pestana e Fulano com algumas das personagens machadianas obcecadas com a glória – Brás Cubas, o pai de Janjão (“Teoria do medalhão”) e Santos (Esaú e Jacó) – busca-se demonstrar a existência, em Machado de Assis, de uma reflexão sobre a historicidade do renome.

Os lazaristas e a política imperial – a escola, a assistência e a família

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Por: Jefferson de Almeida Pinto - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais

Este artigo propõe uma discussão sobre a dinâmica política que estava por trás da expansão lazarista nas instituições escolares e assistenciais e as limitações impostas pelo campo político imperial ao clero ultramontano. Trabalhamos com a hipótese de que tanto a expansão como a necessidade de controle eram formas de manter o domínio sobre a família, algo que, entendemos, era disputado pela Igreja e pelo Estado. Discutimos também um conceito de “questão religiosa” no Brasil do século XIX.

Medo, honra e marginalidade: imagens de Jacob Patacho na história e literatura do século XIX

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Por: Aldrin Moura de Figueiredo

Este artigo analisa as interações entre narrativas da história e da literatura a respeito dos acontecimentos deflagrados na Província do Grão-Pará durante a primeira metade do século XIX, envolvendo a figura do soldado desertor Jacob Patacho. Algumas ações do chamado “cangaceiro das águas”, supostamente responsáveis por “aterrorizar” as populações moradoras dos rios e igarapés da região amazônica no início da década de 1830, ultrapassaram a memória oficial e popular da época, chegando à literatura e aos compêndios de história. De modo geral, essas narrativas e memórias foram vinculadas aos estigmas da “violência” e da “criminalidade”. Essa associação, aparentemente despretensiosa, contribuiu para fixar na historiografia brasileira uma visão específica das populações pobres e escravas do Pará durante o Segundo Reinado, marcada pelo sentimento do medo.

Esporte, economia e política: o automobilismo em Angola (1957-1975)

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Por: Marcelo Bittencourt; e Victor Melo

Este estudo tem por objetivo discutir a conformação do automobilismo em Angola, entre os anos de 1957 (quando começou a crescer o número de provas, tendo como marca a organização do I Grande Prêmio de Angola) e 1975 (quando a modalidade se extinguiu), buscando entender a sua articulação com o cenário político, econômico e cultural da colônia. Para alcance desse intuito, como fontes utilizamos periódicos diversos, em especial o Boletim Geral do Ultramar, o Angola Desportiva e a Revista de Automobilismo, Aviação e Turismo (ATCA). Argumentamos que esta investigação pode nos permitir entabular um debate sobre a província às vésperas da independência. Além disso, espera-se dar mais um passo para compreender as peculiaridades das práticas esportivas e dos entretenimentos em cenários coloniais.

As servinas em Portugal: a rede comercial intercontinental de livros impressos na Bahia colonial

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Por: Pablo Antonio Iglesias Magalhães

O presente artigo investiga as origens e o funcionamento de uma rede comercial ultramarina de livros impressos na Bahia pela Tipografia de Manoel Antonio da Silva Serva, a primeira imprensa particular do Brasil. A pesquisa identifica quais os impressos baianos que foram disponibilizados em Portugal e quem foram os livreiros que, no Reino, constituíam a outra ponta do negócio dos livros ultramarinos.

O Partido Trabalhista Brasileiro no Paraná (1945-1965)

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Por: Alessandro Batistella - University of Passo Fundo (Brazil)

O presente artigo visa a analisar a história e a atuação do antigo Partido Trabalhista Brasileiro no Paraná entre os anos de 1945 e 1965, verificando a importância do partido na política paranaense, identificando os membros que integravam a elite partidária, examinando as alas que existiram dentro do partido, as disputas internas pelo poder nas hostes petebistas e analisando as principais características do PTB no Paraná.

Resenhas

Deir el-Bersha e a “democratização”: Uma nova maneira de compreender os Textos dos caixões e o sistema nomárquico

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Por: Cintia Gama

Resenha do livro: WILLEMS, H. Historical and Archaeological Aspects of Egyptian Funerary Culture. Religious Ideas and Ritual Practice in Middle kingdom Elite Cemeteries. Culture & History of the Ancient Near East, v. 73. Leiden, Boston: E. J. Brill, 2014.

A democracia na penumbra

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Por: Gabriel Rocha

Resenha do livro: COSTA PINTO, António; MARTINHO, Francisco Carlos Palomanes (Org.). O passado que não passa: a sombra das ditaduras na Europa do Sul e na América Latina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013. 336p.

A Santa Sé e os impasses da modernidade

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Por: William de Souza Martins - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Resenha do livro: RUST, Leandro Duarte. Mitos papais: política e imaginação na História. Petrópolis: Vozes, 2015.

Fazer a história cantar: oralidade e política na Paris do século XVIII

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Por: Jefferson Queler - Universidade Federal de Ouro Preto

Resenha do livro: DARNTON, Robert. Poesia e polícia: redes de comunicação na Paris do século XVIII. Tradução Rubens Figueiredo. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

“Ler um texto que não existe”

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Por: Luis Felipe Sobral - Universidade Estadual de Campinas

Resenha do livro: CHARTIER, Roger. Cardenio entre Cervantès et Shakespeare. Histoire d’une pièce perdue. Paris: Gallimard, 2011.

Espaços sagrados na Palestina romana: arqueologia, imperialismo e a multiplicidade ritual no Oriente Médio

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Por: Marcio Teixeira-Bastos - University of Sao Paulo

Resenha do livro: OVADIAH, Asher; TURNHEIM, Yehudit. Roman Temples, Shrines and Temene in Israel. Roma: Giorgio Bretschneider Editore, 2011. 155 páginas e 78 pranchas.

Entrevistas

O ofício de escritor

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Por: Andrea Daher - UFRJ

Entrevista com o escritor brasileiro Alberto Mussa.