nº 24 / V. 13

Janeiro - Junho 2012

Artigos

O papel da batalha: a disputa pela vitória de Montijo na publicística do século XVII

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Por: Carlos Ziller Camenietzki; Daniel Magalhães Porto Saraiva; e Pedro Paulo de Figueiredo Silva

A batalha de Montijo, ocorrida no dia 26 de maio de 1644, foi a primeira grande batalha da Guerra da Restauração Portuguesa (1640-68) e foi vencida por ambos os combatentes. Os comandantes castelhanos declararam sua vitória logo após o término do enfrentamento; houve ainda a publicação de relações, poemas e crônicas do acontecido. Os portugueses também se declararam vitoriosos no mesmo combate, publicando folhetos e apologias e inserindo sua narrativa dos acontecimentos em obras de história. O confronto entre textos de uns e de outros, bem como das circunstâncias de suas edições, permite identificar o caráter político da disputa pela vitória em uma batalha já terminada. Com isso, identifica-se o esforço de vencer a batalha na opinião e na diplomacia do século XVII.

Os interesses do governador: Luiz Garcia de Bivar e os negociantes da Colônia do Sacramento (1749-1760)

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Por: Fábio Kühn

O artigo enfoca o envolvimento do governador da Colônia do Sacramento, Luiz Garcia de Bivar (1749-1760), com os negócios ilícitos realizados com os domínios espanhóis, possibilitados pelos contatos mercantis mantidos com Buenos Aires. Além dos gêneros tradicionais (manufaturas europeias, produtos do Brasil e fazendas) que faziam parte do comércio com Buenos Aires, na década de 1750, a praça portuguesa especializou-se no fornecimento de escravos africanos para a região platina. Esse comércio era realizado por uma comunidade mercantil bastante expressiva e fortemente conectada com seus pares do Rio de Janeiro. Traça-se um breve perfil desse grupo mercantil, mostrando sua relação com as atividades de contrabando protegidas pelo governador.

Contratos, preços e possibilidades: arrendamentos e mercantilização da terra na fronteira sul do Brasil, segunda metade do século XIX

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Por: Guinter Tlaija Leipnitz - Universidade Federal do Pampa

O presente artigo aborda os contratos de arrendamento de terra firmados na fronteira sul do Brasil (Campanha rio-grandense) na segunda metade do século XIX, relacionando-os ao processo de mercantilização da terra que começava a se intensificar no meio rural brasileiro. Discute-se como a evolução da duração e do preço dos contratos ao longo do tempo, bem como sua compreensão enquanto empreendimento agrário expressam as matizes desse processo. Conclui-se que essa prática de contratação agrária respondia a lógicas variadas, desde alternativas circunscritas ao domínio da pecuária extensiva tradicional até móveis econômicos de caráter mais modernizante.

A Justiça Militar e a implantação da ordem republicana no Brasil

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Por: Renato Luís do Couto Neto e Lemos

Este artigo discute a relação entre a Justiça Militar brasileira e o processo político como um elemento da constituição da ordem republicana após 1889. É analisada a continuidade das instituições monárquicas na área da justiça castrense. Apontam-se, ainda, os mecanismos doutrinários e organizacionais que viabilizaram a instrumentalização política da Justiça Militar durante os governos de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.

De uma freguesia serra acima à costa atlântica: produção e comércio da aguardente na cidade de São Paulo (1765-1822)

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Por: Denise Aparecida Soares de Moura

Este artigo apresenta conclusões de uma pesquisa sobre a produção da aguardente em engenhos e sítios de uma freguesia da cidade de São Paulo, dentro do panorama mais amplo do comércio desse produto no Império português entre 1765 e 1822. Para tanto foram utilizados os Maços de População da Capital, especialmente do ano de 1802, e os mapas de importação e exportação da vila de Santos produzidos por sua alfândega para a Real Junta de Comércio, no Rio de Janeiro.

Imagem, raça e humilhação no espelho negro da nação: cultura visual, política e "pensamento negro" brasileiro durante a ditadura militar

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Por: Francisco das Chagas Fernandes Santiago Júnior

Este artigo problematiza as relações entre cultura visual, "racialização" e novas sensibilidades políticas no Brasil de meados dos anos 1970 e princípios dos 1980 a partir das discussões da imagem e da representação do negro no cinema brasileiro. Observamos algumas das características da atualização e modificação da noção de raça no Brasil a partir da discussão sobre filmes brasileiros pelos representantes do que chamamos no texto de "pensamento negro", uma tradição reflexiva em formação que questionou como a intelectualidade brasileira concebia a cultura negra. A reflexão negra se apresenta num conjunto de escritos na imprensa nos quais desenvolveram uma retórica da imagem do negro como retórica de humilhação racial. A denúncia da humilhação negra na imagem produzida pelos brancos permitiu a constituição de uma nova identidade racial no Brasil.

Todos temos um retrato: indivíduo, fotografia e memória no contexto do desaparecimento de pessoas

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Por: Ludmila da Silva Catela

Como na construção de um origami, as imagens que representam o desaparecimento de pessoas na Argentina e a ação terrorista do Estado durante os anos 1970 dobram-se e redobram-se repetidamente, até compor uma nova figura. Essas dobraduras, como os papéis coloridos que são dobrados, têm a ver com as descobertas, as manipulações, a circulação e os usos de fotos que se propõem como representação da situação-limite do desaparecimento. Este texto percorrerá quatro cenas de análise sobre as modificações que as imagens sofrem a partir dos contextos de enunciação utilizados: o uso público da imagem do desa parecido como denúncia, a fotografia na esfera doméstica para diferenciar sua morte de outras, o uso do retrato do filho desaparecido sobre o corpo das Mães da Plaza de Maio e, finalmente, a circulação dos retratos fotográficos em instituições de memória, como museus e arquivos.

Unidade, coerção e desvio na literatura patrística pós-nicena: a ontologia moral e a condição judaica no pensamento de Agostinho de Hipona

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Por: Renata Rozental Sancovsky - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Este artigo analisa as práticas discursivas referentes às relações entre mito e filosofia no pensamento agostiniano sobre a condição judaica nos primeiros séculos medievais. Serão discutidos semânticas e alcances do pensamento mítico sobre o chamado "comportamento filosófico" pós-niceno, demonstrando fortes aproximações entre os dois campos da existência humana. A partir das ressignificações operadas nas práticas literárias dos séculos IV e V, os escritos agostinianos revelam que o mito e a filosofia passam a compor, conjuntamente, o universo identitário construído pela patrística clássica, ora identificado a partir de concepções em torno da divindade, da história e do ser.

Descendo a montanha e seguindo para o norte: como a degradação do solo e os pesticidas sintéticos orientaram a trajetória da agricultura mexicana ao longo do século XX

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Por: Angus Wright - California State University, Sacramento

A estratégia de desenvolvimento do México no século XX promoveu novos investimentos agrícolas nos desertos do norte e em vales tropicais nas terras baixas. A facção política conhecida como "Dinastia de Sonora" desempenhou um papel político e intelectual fundamental nesta tendência. Além disto, uma crise durante o governo Cárdenas (1934-40) conduziu a um acordo entre os EUA, a Fundação Rockefeller e o presidente mexicano eleito em 1940 para elaborar um programa de pesquisa agrícola conhecido como "A Revolução Verde", que dominou as políticas agrícolas do país, impactando os padrões de desenvolvimento ao redor do mundo. A estratégia era baseada em certa visão dos solos mexicanos e na disponibilidade de pesticidas e fertilizantes sintéticos. Combinando consulta a arquivos, fontes secundárias, observações e entrevistas, o presente artigo examina as profundas raízes históricas desses acontecimentos e suas consequências, tanto as desejadas como as imprevistas.

Condutas sem crença e obras de arte sem espectador

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Por: Paul Veyne

Esta tradução foi feita pelo Ateliê de traduções do Laboratório de pesquisa em história das práticas letradas (PEHL), coordenado por Andrea Daher, com a participação de Clara Carvalho, Gabriel Vertulli, Gabriela Theophilo, Henrique Gusmão, Karla de Aquino, Isabelle Weber, Iuri Bauler, Monique Ferreira, Raquel Campos e Renata Rufino; a revisão técnica e a edição final do texto são da coordenadora.

Resenhas

Uma nova introdução a Michel Foucault

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Por: Rafael Faraco Benthien

Resenha do livro: BERT, Jean-François. Introduction à Michel Foucault. Paris: La Découverte, 2011, 125 p.

Momentos de crise, momentos de verdades: o desafio epistemológico da história

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Por: Francisco Linhares Fonteles Neto

Resenha do livro: AURELL, Jaume. A escrita da história: dos positivismos aos pós-modernismos. Tradução de Rafael Ruiz. São Paulo: Sita-Brasil, 2010.

Um historiador e suas travessias

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Por: Aline Magalhães Pinto - UFMG - The Federal University of Minas Gerais

Resenha do livro: CERTEAU, Michel de. História e psicanálise: entre a ciência e a ficção. Tradução de Guilherme João de Freitas Teixeira. Belo Horizonte: Autêntica, 2011.

Formação e justificação do império português: uma síntese

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Por: Carlos Alberto de Moura Ribeiro Zeron

Resenha do livro: MARCOCCI, Giuseppe. L’invenzione di un impero: politica e cultura nel mondo portoghese (1450- 1600). Roma: Carocci Editore, 2011. 191 p.

Entrevistas

Uma gramática dos signos da história

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Por: Andrea Daher - UFRJ; e Denis Crouzet

Denis Crouzet esteve no Programa de Pós-graduação em História Social da UFRJ, a convite do Laboratório de Pesquisa em História das Práticas Letradas, e concedeu a Topoi esta entrevista em 18 de abril de 2012. O texto em português foi transcrito por Amaury Leibig van Huffel, traduzido por Raquel Campos, revisado e editado por Andrea Daher.