nº 23 / V. 12

Julho - Dezembro 2011

Artigos

Exclusivo metropolitano, “superlucros” e acumulação primitiva na Europa pré-industrial

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Por: André Arruda Villela

O artigo tem por objetivo analisar o influente modelo do Antigo Sistema Colonial, proposto originalmente por Fernando Novais. Os três elementos constitutivos do modelo – o exclusivo metropolitano, os “superlucros” e o papel destes últimos na industrialização europeia no início da Era Moderna – são criticados. Ao final, conclui-se que o modelo é essencialmente axiomático, demonstrando limitada aderência tanto à teoria econômica quanto à evidência empírica.

América Latina: da construção do nome à consolidação da ideia

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Por: Rafael Leporace Farret; e Simone Rodrigues Pinto

O objetivo do presente artigo é examinar o processo de construção da ideia de América Latina, ou seja, o surgimento do conceito e sua simbologia na perspectiva da modernidade. O recorte cronológico compreende do período colonial até a conjuntura de consolidação do termo América Latina, em fins do século XIX. Discute-se a criação do nome-América Latina-e sua predominância frente aos demais termos empregados para definir uma identidade continental, tais como hispanoamérica, indoamérica, iberoamérica, entre outros, a partir da perspectiva analítica do filósofo uruguaio Arturo Ardao, sem deixar, entretanto, de cotejá-la com trabalhos de outros especialistas.

A Relacion de la Vitoria que alcanzaron las Armas Catolicas en la Baia de Todos Santos, do Bispo D. Juan de Palafox y Mendoza

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Por: Pablo Antonio Iglesias Magalhães

O presente artigo investiga a impressão, em 1638, da Relacion de la Vitoria qve Alcanzaron las Armas Catolicas en la Baia de Todos Santos contra Holandeses, no contexto do projeto do Conde-Duque de Olivares de manter Portugal integrado à coroa de Castela, no período em que a União Ibérica apresentava signifi cativos sinais de desgaste. Foi possível identificar em Dom Juan de Palafox y Mendoza o anônimo redator da referida relação e relacioná-la ao debate historiográfi co em torno do Cerco da Bahia comandado pelo Conde João Maurício de Nassau-Siegen.

Guerra, diplomacia e mapas: a Guerra da Sucessão Espanhola, o Tratado de Utrecht e a América portuguesa na cartografia de D’Anville

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Por: Júnia Ferreira Furtado

Este artigo aborda as conexões que se estabelecem no século XVIII entre a guerra e a diplomacia, de um lado, e, de outro, a cartografia, no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1714) e do Tratado de Utrecht que veio pôr fim aos diferendos surgidos. Toma como ponto de partida a colaboração estabelecida entre o diplomata português dom Luís da Cunha e o geógrafo francês Jean Baptiste Bourguignon D'Anville, para a elaboração da Carte de l'Amérique méridionale, de 1748, com o objetivo de nortear as negociações de fronteiras entre Espanha e Portugal de seus territórios na América.

Escravidão, reprodução endógena e crioulização: o caso do Espírito Santo no Oitocentos

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Por: Adriana Pereira Campos

O presente artigo avalia a importância da família escrava na sociedade brasileira do Oitocentos, especialmente da reprodução endógena propiciada por tal tipo de enlace, tomando como referência a Província do Espírito Santo no período. Consideraram-se dois recortes temporais, 1790-1821 e 1850- 1872, para a análise das fontes e comparação dos dados relativos às famílias escravas. Buscou-se realizar a identificação da composição sexual e etária das escravarias capixabas, enfocando a região abrangida pela Comarca de Victoria no primeiro quartel do século e incluindo, no segundo quartel, a Comarca de Itapemirim, devido à importância adquirida pela cafeicultura na região sul da Província à época. Como base nesses levantamentos, discutiu-se a crioulização dos cativos em terras capixabas e o crescimento vegetativo como elemento de sobrevivência demográfica da escravidão no Espírito Santo.

Internacional escravista: a política da Segunda Escravidão

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Por: Rafael de Bivar Marquese - Universidade de São Paulo; e Tâmis Peixoto Parron

O artigo analisa a unificação das experiências políticas dos três grandes espaços escravistas da América do século XIX, Estados Unidos, Cuba e Brasil, após o surgimento da aliança do movimento abolicionista anglo-americano na década de 1830. Descrevendo o quadro político das três regiões, demonstra como elas passaram a reagir ao abolicionismo internacionalista de modo integrado e cooperativo, o que pode ser chamado de "internacional escravista". Examina, por fim, por que essa interação não evoluiu para uma plataforma oficial dos governos envolvidos. Seu desaparecimento ocorreu quando a Guerra Civil norte-americana (1861-65) abalou a escravidão no Brasil e no Império Espanhol.

"Um desejo infinito de vencer": o protagonismo negro no pós-abolição

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Por: Petrônio Domingues

Ultimamente, diversos estudos têm explorado o tema do protagonismo negro em Santa Catarina no período posterior à abolição da escravatura. Esses trabalhos têm analisado personagens, agenciamentos políticos, conexões sociais, fluxos culturais e interlocuções raciais. O objetivo deste artigo é apresentar um balanço inicial dessa produção acadêmica e, ao mesmo tempo, apontar questões, discutir problemas e identificar os desafios dessa nova área de pesquisa.

Os santos nos faxinais: religiosidade e povos tradicionais

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Por: Antonio Paulo Benatte; José Adilçon Campigoto - Universidade Estadual do Centro-Oeste; e Rosenaldo de Carvalho

Este artigo discute as relações que povos tradicionais-os faxinalenses-estabelecem com o sobrenatural, analisando suas rezas, celebrações e devoções a São João, ao Divino Espírito Santo e a São Roque. Pretende-se dar visibilidade à cultura dessas populações rurais organizadas em torno do uso comum de recursos naturais, notadamente as pastagens, na região Sul e Centro-Sul do Estado do Paraná. O exame dessas relações permite-nos observar aspectos dessa tradição, como as curas e benzeduras de animais, o conhecimento das plantas medicinais, a demarcação dos espaços, as relações com o tempo, a simbologia do trabalho e do descanso dos animais, as rezas e as festas, o cotidiano e o extraordinário.

Antecipando a era Vargas: a Revolução Paulista de 1924 e a efetivação das práticas de controle político e social

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Por: Carlo Romani - UNIRIO - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

A revolução de julho de 1924 em São Paulo foi muito pouco investigada pela historiografia brasileira, principalmente se considerarmos que ela determina o início de um controle social preventivo e sistemático, por parte do governo federal, sobretudo nas esferas da saúde e da segurança pública. Este artigo estuda essa transformação no Estado Brasileiro, particularmente no que tange à polícia política, durante o governo do presidente Arthur Bernardes (1922-1926). A hipótese que orienta o trabalho é a de que, nesse período, foi inaugurado um novo modelo de exercício do poder político, denominado por Michel Foucault de biopolítica, precursor do futuro estado de controle social da era Vargas.

Os lugares da desordem. Uma geografia legal para a Buenos Aires dos anos 1930

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Por: Lila Caimari - National Scientific and Technical Research Council

O artigo trata do processo de crescimento da cidade de Buenos Aires entre as décadas de 1920 e 1930, detendo-se na relação entre a expansão suburbana e as maneiras de descrever e imaginar as ameaças à ordem e à segurança da cidade. Apoiando-se em fontes jornalísticas e policiais, o trabalho argumenta que nesse período emerge a noção de uma ordem portenha contraposta a uma difusa desordem, situada fora dos limites da cidade-capital. Finalmente, analisa este fenômeno em zonas específicas, como o conjunto da zona norte, e a localidade fabril de Avellaneda, situada ao sul da cidade.

A religião como meio de inclusão e de exclusão nas corporações de ofício de Estrasburgo (1681-1789)

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Por: Hanna Sonkajärvi - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

O artigo propõe uma análise das dinâmicas de inclusão e de exclusão construídas a partir do pertencimento religioso, ou confessional nas corporações de ofício em Estrasburgo no século XVIII. Na sociedade do Antigo Regime, a religião fazia parte – assim como o status social, os vínculos familiares, o gênero, o patronato e os meios financeiros, a língua e os direitos de burguesia – dos fatores decisivos para incluir ou excluir os estrangeiros do acesso aos recursos econômicos, políticos ou sociais das localidades. A construção e a preservação das fronteiras religiosas são examinadas a partir do exemplo dos marceneiros e dos barqueiros na cidade multi-confessional de Estrasburgo. Trata-se da palestra que a autora proferiu em 8 de setembro de 2011, no âmbito das atividades acadêmicas promovidas pelo Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e o Grupo de Estudos em História da Igreja no Brasil (Ecclesia-CNPq).

Resenhas

O Brasil desbravado: olhares cartográficos e interpretações do país

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Por: Pedro Campos Franke

Resenha do livro: KNAUSS, Paulo; RICCI, Claudia; CHIAVARI, Maria Pace. Brasil: uma cartografia. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2010.

Domínio, migração e natureza na Amazônia seiscentista

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Por: Wesley Oliveira Kettle

Resenha do livro: CHAMBOULEYRON, Rafael. Povoamento, ocupação e agricultura na Amazônia colonial (1640-1706). Belém: Editora Açaí, 2010.

Cultura impressa: edição, circulação e leitura no Brasil

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Por: Gabriel Costa Labanca

Resenha do livro: BRAGANÇA, Aníbal; ABREU, Márcia (Orgs.). Impresso no Brasil. Dois séculos de livros brasileiros. São Paulo: Editora Unesp; Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2011.

Os anos rebeldes da brasilidade

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Por: Andrea Maria Vizzotto Alcântara Lopes

Resenha do livro: RIDENTI, Marcelo. Brasilidade revolucionária: um século de cultura e política. São Paulo: Editora UNESP, 2010.