nº 1 / V. 1

Janeiro - Dezembro 2000

Artigos

Jihad e escravidão: as origens dos escravos muçulmanos da Bahia

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Por: Paul E. Lovejoy

A configuração étnica da população baiana modificou-se bastante de fins do século XVIII para o século seguinte, quando povos islâmicos africanos tornaram-se comuns entre os escravos, em especial a partir dos grandes desembarques de cativos de fala Ioruba. As origens desses muçulmanos podem estar relacionadas ao contexto próprio das áreas interioranas da Baía de Benin e à jihad do Xeque Usman dan Fodio, fundador do Califado de Sokoto. Este estudo examina o material biográfico disponível, procurando oferecer subsídios adicionais acerca da comunidade muçulmana para, assim, estabelecer mais claramente as ligações entre os padrões de resistência à escravidão na Bahia, que culminaram na insurreição Malê de 1835, e o movimento da jihad no interior da Baía de Benin.

A nobreza da República: notas sobre a formação da primeira elite senhorial do Rio de Janeiro (séculos XVI e XVII)

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Por: João Fragoso - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

O artigo analisa a formação da primeira elite senhorial do Rio de Janeiro e de sua economia (séculos XVI e XVII). Ele parte do pressuposto de que tal formação se daria em um contexto marcado por dificuldades em Portugal e no seu Ultramar. Em meio a este cenário, os conquistadores utilizariam os velhos elementos, porém eficientes, da antiga sociedade lusa: a conquista (de homens e terras), o Senado da Câmara e o sistema de mercês. Como resultado deste processo, teríamos a formação de uma economia de plantation como derivação de uma hierarquia social e econômica que exclui parte dos colonos.

História intelectual no Brasil: a retórica como chave de leitura

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Por: José Murilo de Carvalho

O artigo sugere o uso de conceitos e práticas relacionados à retórica como instrumento de análise para pensar a história intelectual do Brasil. História intelectual é tomada em sentido estrito, isto é, como a história de formas discursivas de pensamento, deixando de lado tanto a crítica literária como o que se tem convencionado chamar de nova história cultural. Será feita, de início, breve descrição do estado da história intelectual no país. A seguir será discutida a tradição retórica herdada de Portugal. Ao final, serão sugeridas maneiras de usar esta tradição como chave de leitura para trabalhar textos brasileiros, sobretudo do século XIX.

Paixão, crime e relações de gênero (Rio de Janeiro, 1890-1930)

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Por: Magali Gouveia Engel

Este artigo avalia os conflitos relacionados às relações amorosas e/ou sexuais ocorridos na cidade do Rio de Janeiro entre1890 e 1930. Baseado na pesquisa dos julgamentos de crimes passionais, propõe uma reflexão sobre as tensões entre os valores dominantes e os padrões culturais das relações de gênero disseminados na sociedade brasileira da época.

Vieira, a inquisição e o capital

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Por: Alcir Pécora

O ensaio investiga, numa primeira parte, os principais pontos debatidos nas trinta sessões de interrogatórios do jesuíta Antônio Vieira (1608-1697) no Santo Ofício de Coimbra; numa segunda parte, procura demonstrar que as posições contrárias têm pressupostos teológicos comuns e que as opiniões de Vieira, diferentemente do que se tem difundido muitas vezes, não podem ser tomadas como protoiluministas ou protoburguesas.

Resenhas

Micro-história: reconstruindo o campo de possibilidades

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Por: Manoel Luiz Salgado Guimarães

Resenha do livro: REVEL, Jacques. Jogos de . Escala: a experiência da microanálise. Tradução Dora Rocha. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1998. 262p.

Crime e castigo em Portugal e seu Império

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Por: Maria Fernanda Baptista Bicalho

Resenha do livro: Ordenações Filipinas. Livro V. Introdução, notas e cronologia de Silvia Hunold Lara. Companhia das Letras, São Paulo: 1999. 510p.

Entrevistas

Literatura e História

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Por: Roger Chartier

A relação entre literatura e história pode ser entendida de duas maneiras. A primeira enfatiza o requisito de uma aproximação plenamente histórica dos textos. Para semelhante perspectiva é necessário compreender que nossa relação contemporânea com as obras e os gêneros não pode ser considerada nem como invariante nem como universal. Devemos romper com a atitude espontânea que supõe que todos os textos, todas as obras, todos os gêneros, foram compostos, publicados, lidos e recebidos segundo os critérios que caracterizam nossa própria relação com o escrito. Trata-se, portanto, de identificar histórica e morfologicamente as diferentes modalidades da inscrição e da transmissão dos discursos e, assim, de reconhecer a pluralidade das operações e dos atores implicados tanto na produção e publicação de qualquer texto, como nos efeitos produzidos pelas formas materiais dos discursos sobre a construção de seu sentido. Trata-se também de considerar o sentido dos textos como o resultado de uma negociação ou transações entre a invenção literária e os discursos ou práticas do mundo social que buscam, ao mesmo tempo, os materiais e matrizes da criação estética e as condições de sua possível compreensão.