V. 25

2024

Dossiê: Racismo e estética

Artigos

Racismo e estética: uma introdução

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Por: Ynaê Lopes dos Santos; e Rodrigo Lopes de Barros

Introdução ao Dossiê Racismo e Estética.

A abolição revista por Zózimo Bulbul no cinema: aspectos da resistência negra entre a arte e a história

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Por: Alice Carvalho Lino Lecci

Neste artigo, dirige-se uma crítica a determinados relatos constituintes do documentário Abolição (1988), de Zózimo Bulbul, que discorrem sobre as revoltas no período escravocrata, a abolição e o posicionamento do Estado após a emancipação, a fim de enfatizar suas dimensões históricas e políticas. Para tanto, tais depoimentos, majoritariamente de pesquisadores/as e militantes negros/as, foram cotejados com as perspectivas enunciadas no campo da História, da Antropologia e da Filosofia por Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Ynaê dos Santos, Kabengele Munanga e Molefi Kete Asante. Nessa obra, o/a negro/a apresenta-se como enunciador/a da própria história ao denunciar as injustiças acerca da barbárie escravocrata e racista, ao mesmo tempo em que reivindica equidade em sociedade. A narrativa áudio-imagética se alinha à certa historiografia erigida sobre a população negra do Brasil.

Nascer negro não é ter defeito: festivais da canção, inter-racialidade e racismo

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Por: José Fernando Saroba Monteiro

Reconhecidos pela multiplicidade e pluralismo, os festivais da canção das décadas de 1960 e 1970 refletiam a sociedade brasileira em seus âmbitos musical, regional, social e também racial, sendo marcadamente diversificados e com diferentes representatividades étnico-raciais. Isso, no entanto, não impediu que ocorressem episódios de racismo e discriminação, seja através de blagues, chamamentos, utilização de determinados termos ou mesmo perseguição pela atuação em benefício da luta antirracista. Desse modo, o artigo, por meio de revisão bibliográfica e análise de jornais e periódicos, procura evidenciar esses vieses dos festivais, sendo prioritariamente diversos e interraciais, mas, ao mesmo tempo, sediando acontecimentos em que há segregação e racismo e, também nestes aspectos, espelhando a sociedade de um modo geral.

Favelas e as pós-vidas da cidade escrava

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Por: Brodwyn Fischer

Este artigo examina as representações visuais da urbanidade negra do século XIX ao início do século XX. Considera-se como a urbanidade negra foi vivida, imaginada e visualizada nas cidades do século XIX, enfocando a tensa interdependência entre a cidade escrava (a cidade estruturada pela prática da escravidão) e a cidade negra (a cidade criada por e para os negros). Em seguida, analisa como os fotógrafos municipais representaram as favelas e os mocambos do século XX por meio dos regimes visuais da cidade escrava. Conclui-se que, a despeito de tais representações, o urbanismo informal constituiu sua própria prática visual, permitindo que os afrodescendentes inscrevessem a cidade negra de forma definitiva na tela urbana.

Marca registrada: a construção da autorrepresentação de d. Obá II d’África no contexto do abolicionismo no Brasil (1878-1890)

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Por: Lúcia Klück Stumpf

O presente artigo tem como foco a análise da imagética construída entorno da figura de d. Obá II através da imprensa do Rio de Janeiro ao longo da década de 1880, momento de radicalização das relações raciais no Brasil. A partir de uma história das imagens, evidencia o racismo nas charges de que d. Obá é alvo, ao mesmo tempo em que demonstra sua agência na construção da autorrepresentação como ferramenta de luta no contexto da campanha abolicionista no país. Constata, por fim, o pioneirismo de d. Obá no uso da fotografia e das novas tecnologias de reprodução de imagens como instrumento capaz de projetar uma visão positiva da identidade social negra na luta por igualdade e direitos civis.

Descolonizar Foucault? Por uma história da violência racial e de gênero das máscaras de punição?

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Por: Evandro Charles Piza Duarte

O texto trata das máscaras punitivas, referidas pela escritora Grada Kilomba como símbolo da opressão contra mulheres negras. Interroga como as máscaras foram utilizadas na economia punitiva, na gestão da dor, nas técnicas de controle social, etc. Propõe compreender como a história desse objeto se imbrica nos esquemas históricos sobre controle social utilizados na criminologia. Argumenta que olhar para as máscaras punitivas permite descolonizar os esquemas de compreensão e considerar as dimensões representacionais e performativas do controle social moderno. O diálogo é com Michel Foucault, em Vigiar e punir, sobre quando a máscara surge na sua história e por que ela foi considerada (in)significante. Se Michel Foucault tivesse tratado sobre a máscara, ela faria parte de sua história do espetáculo da dor ou do poder disciplinar? Como duas de suas referências centrais (George Rusche e Otto Kirchheimer, e Jeremy Bentham) retrataram esses objetos?

Resenhas

“Topologia do não-lugar”: colonialidade e desontologização dos racializados a partir de Nelson Maldonado-Torres

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Por: Gabriel Barroso Vertulli Carneiro

Resenha do livro: CABRAL, Alexandre Marques. Topologias do não-ser:. discutindo (sub) ontologia e colonialidade com Nelson Maldonado-Torres. Rio de Janeiro: Via Verita, 2023. 71