Susani Silveira Lemos França
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Palavras capitais na história dos reis, dos infantes e dos navegadores
No Portugal do século XV, as crônicas e os relatos de viagem dedicados ao passado dos reinos e ao avanço por terras africanas mostram-se estruturados a partir de certas ideias gerais, como ordenar, não deixar esquecer, ensinar os que hão de vir e evitar toda e qualquer falsidade. Esses dois tipos de narrativas com função ordenadora do passado lançam mão de um jogo vocabular relativamente homogêneo em torno de algumas palavras, a saber: a graça, a virtude e a obediência. Tais palavras, como será examinado neste estudo, por sua recorrência, revelam-se elos ou eixos moralizadores para justificar e ornar as ações dos protagonistas das histórias de então: os reis, os infantes e os navegadores.
Lições sobre o contentamento nas narrativas históricas medievais
Este artigo focaliza certas incursões dos cronistas quatrocentistas portugueses rumo à definição de valores relativos à conduta dos nobres e governantes. Levando em conta o ganho de importância da produção historiográfica portuguesa do século XV, não só porque passa a ser produzida em língua nacional, mas sobretudo porque passa a ser vista como um instrumento de consolidação de uma certa imagem dos governantes e da governação, o texto mapeia apontamentos dos referidos cronistas acerca das formas de lazer e prazer recomendáveis para os mais elevados membros da sociedade medieval. Tais formas passavam por práticas desportivas e comemorações festivas, mas não podiam fazer esquecer dois aspectos fundamentais na consolidação de uma imagem virtuosa: a contenção e a diligência com os negócios públicos.
