Lidiane S. Rodrigues

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Resenhanº 28 / V. 152014Baixar
Por: Lidiane S. Rodrigues

Li a resposta de João Cezar de Castro Rocha e pus-me a pensar. Haveria muitas maneiras de elaborar uma tréplica. De modo maduro e sucinto: "a autora optou por fazer o mesmo que Kant". De modo maduro e menos sucinto (é de bom tom não parecer inatingível): "Numa festa, dois acadêmicos começam a discutir. A certa altura, o clima esquenta. Um deles desiste de pensar e de beber. Joga o vinho no rosto do outro. Este, lentamente, tira o lenço do bolso, tenta dar um jeito na lente dos óculos. E diz: bela intervenção". Nenhuma das duas me agradava por completo. Seria participar do comércio das citações de corredores e congressos. Não. Como o caso dá o que pensar, esbocei uma resposta digna da pesquisadora que pretendo ser, considerando a bibliografia que tenho como referência, particularmente em sociologia do conhecimento e em história das controvérsias. Aprecio a reflexão que vou elaborando, volto à réplica e logo me dou conta de que não estou escrevendo uma "tréplica", mas algo entre artigo, ensaio, balanço bibliográfico. Além disso, sou advertida de que, apesar da elegância da atitude, o texto poderia ser entendido como um exercício de distanciamento, como se eu não estivesse implicada no que examino. De fato, a réplica de Castro Rocha é bela por não conter suas emoções, seria de bom tom demonstrar as minhas. Receei irritar ainda mais meu interlocutor. Sinceramente, nada mais estranho às minhas intenções, tanto com a resenha quanto com a tréplica. Não. Há entretanto outros motivos pelos quais esta última modalidade de resposta também não poderia ser adotada. Passado o momento inicial de lisonjeio-nunca fui citada e "criticada" tantas vezes num mesmo texto-, percebo o óbvio ululante: minha tese não foi lida, o texto dela foi citado-e, infelizmente, uma coisa não implica necessariamente a outra. Ademais, os problemas teóricos, metodológicos e interpretativos, nada implícitos, às minhas resenhas escapam inteiramente ao meu interlocutor. E, por motivos que prefiro não especular, ele não concebe a possibilidade de haver autonomia intelectual em relação àqueles que se elogia e se aprecia. Confissão involuntária disso encontra-se na passagem em que Castro Rocha chega mesmo a perguntar como é possível que eu não esteja de acordo com quem "elogio" e me cobre coerência com o seu pressuposto a meu respeito, segundo o qual reconhecimento é sinônimo de submissão. Se a modalidade de excelência intelectual que elegi, pela qual trabalho com afinco, pagando o alto preço que ela implica, está ausente de seu horizonte de atitudes possíveis, não há explicação que o faça compreendê-la. Com efeito, a "réplica" me responde menos do que parece querer me atingir. Como respondê-la sem alimentar seu princípio motriz? Cogito não responder.

O avesso das negativas

Resenhanº 27 / V. 142013Baixar
Por: Lidiane S. Rodrigues

Resenha do livro: ROCHA, João Cezar de Castro. Machado de Assis: por uma poética da emulação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013.