Alexander Martins Vianna
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Publicações
Às margens da açucaristocracia: segredos internos da Recife da década de 1970 em um conto de Alexandre Furtado
Resenha do livro: FURTADO, Alexandre. Os mortos não comem açúcar. Rio de Janeiro: Confraria do Vento, 2015. 151p.
Corpus shakespeariano e reformas religiosas inglesas: um estudo de caso – O mercador de Veneza
Os estudos pós-revisionistas sobre reformas religiosas inglesas têm focado as novas possibilidades de interpretação dos loci sociais, culturais e políticos de negociação da matéria religiosa na literatura e história da Inglaterra Reformada, evitando abordagens polarizadas whiggistas e revisionistas a respeito da história literária das reformas inglesas. Nesse sentido, este artigo aborda a materialidade textual do in-quarto de 1600 (Q1) de O mercador de Veneza como um evento que localiza negociações e expectativas culturais e políticas a respeito da conformação à religião oficial na Inglaterra elisabetana. Este artigo analisa especificamente a presença dos recursos retóricos no Q1 que figuram as ameaças 'puritanas' e 'papistas' à realeza sagrada, incluindo o estudo do uso dos temas da iconoclastia do mérito, da melancolia, da amiticia e da caritas na caracterização dos personagens principais.
As figurações de rei e a caracterização de “puritano” e “papista” em Basilikon Doron
Atualmente, os estudos sobre pensamento político dos séculos XVI e XVII têm valorizado a possibilidade de leituras de textos clássicos fora da chave teleológica da “modernidade política” ou “secularização”, o que explica o recente interesse em referenciá-los, mais atentamente, aos seus fundamentos teológicos e ao contexto de embates por autoridade frente ao cisma religioso na Europa desse período. Nesse sentido, este ensaio pretende analisar, em chave teológico-política, os motivos retóricos utilizados por James I na obra Basilikon Doron (1599) para figurar a dignidade régia e as “ameaças” (puritana e papista) à sacralidade da dignidade régia, o que também inclui estudar as proposições e os conselhos régios a respeito dos modos e costumes adequados à constituição da dignitas principesca.
'Shakespeare': um nome para textos
Neste artigo, demonstro a importância histórica de se entender o caráter contingente da associação editorial do nome ‘Shakespeare’ às peças que o monumentalizaram a partir do fólio de 1623. Trata-se de uma forma deliberada de romper com o cânone autoral romântico, quando muitas peças associadas ao seu nome começaram a ser lidas pelo movimento Sturm und Drang como exemplos excelentes de oposição estética e temática ao paradigma clássico francês. Deste modo, alguns enunciados ou apelativos de valor nos frontispícios das peças impressas e associadas ao nome ‘Shakespeare’ entre 1594 e 1637 deixarão de ser entendidos como se fossem regidos pela preocupação de preservação de uma integridade intelectual-textual individualizada de Shakespeare.
