Aldrin Moura de Figueiredo
Publicações
Parca vida, grande morte: pandemias, epidemias e memória das imagens na Amazônia de finais do século XIX e inícios do século XX
Este artigo propõe uma análise sobre a questão da doença e da morte nas representações artísticas em coleções de pintura de Belém do Pará entre o final do século XIX e início do século XX. Para isso, propõe uma leitura transversal a partir de questões impostas no presente, na pandemia de covid-19, como recurso heurístico comparativo. Trata-se, portanto, de estabelecer um diálogo entre presente e passado por meio das imagens, potências, reverberações, registros discursivos e exposições museológicas. Assim, doenças retratadas na pintura, como o câncer e a tuberculose, vistas no quadro das epidemias da belle-époque, são agora analisadas não somente no quadro das comorbidades da pandemia do tempo presente, mas também como repertório cognitivo da própria história e da memória das imagens na Amazônia.
Medo, honra e marginalidade: imagens de Jacob Patacho na história e literatura do século XIX
Este artigo analisa as interações entre narrativas da história e da literatura a respeito dos acontecimentos deflagrados na Província do Grão-Pará durante a primeira metade do século XIX, envolvendo a figura do soldado desertor Jacob Patacho. Algumas ações do chamado “cangaceiro das águas”, supostamente responsáveis por “aterrorizar” as populações moradoras dos rios e igarapés da região amazônica no início da década de 1830, ultrapassaram a memória oficial e popular da época, chegando à literatura e aos compêndios de história. De modo geral, essas narrativas e memórias foram vinculadas aos estigmas da “violência” e da “criminalidade”. Essa associação, aparentemente despretensiosa, contribuiu para fixar na historiografia brasileira uma visão específica das populações pobres e escravas do Pará durante o Segundo Reinado, marcada pelo sentimento do medo.
