nº 14 / V. 8
January - June 2007
Articles
“Sejamos brasileiros no dia da nossa nacionalidade”: comemorações da Independência no Rio de Janeiro, 1840-1864
Neste artigo examinam-se as celebrações da Independência brasileira no Rio de Janeiro do início da década de 1840 a meados da década de 1860. Analisa-se o surto de comemorações populares na década de 1850 e reflete-se sobre a imagem da nação brasileira manifesta publicamente nas ruas da capital. Havia uma identificação significativa, apesar de socialmente circunscrita, com o estado-nação brasileiro entre a população urbana.
Percepções dos colonos a respeito da natureza no sertão da Capitania do Rio Grande
O artigo analisa os requerimentos de concessão de terras das Capitania do Rio Grande referentes à última metade do século XVII, objetivando demonstrar a visão do colonizador a respeito da natureza presente no sertão. Da análise dessas fontes, tomando a relação entre espaço e natureza como foco, evidencia-se as diferentes percepções do colono acerca das terras que estavam sendo apropriadas e dos elementos naturais aí presentes, que vão sendo omitidos à medida que o sistema colonial avança sobre o interior.
A ordem de um tempo: folhetos na coleção Barbosa Machado
Neste artigo, os autores estudam a grande coleção de opúsculos montada no século XVIII pelo bibliófilo português Diogo Barbosa Machado, que integra atualmente o acervo da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Destaca-se inicialmente a importância da escrita na Época Moderna e a circulação de folhetos impressos como elementos de poder. Em seguida, discute-se a coleção como agrupamento de peças preciosas, e a trajetória de ascensão social de seu artífice. O ponto central do artigo é a taxionomia empreendida pelo colecionador, relacionada também aos vários tempos percorridos pela coleção. Formula-se assim a hipótese da brecha do tempo em que vivia Barbosa Machado.
Bode Francisco Orelana: uma representação humorística da intelectualidade brasileira entre patrulhas ideológicas, autocensura e odarização
O artigo apresenta uma análise do personagem Bode Francisco Orelana criado pelo cartunista Henrique de Souza Filho - Henfil - nos anos iniciais da década de 1970. Este personagem foi utilizado para colocar em discussão a coerção instaurada pela ditadura sobre os intelectuais e demais grupos produtores de cultura, o papel político da intelectualidade no contexto repressivo, os debates intraintelectuais e o problema da autocensura, fruto do terror propagado pela censura militar. A proposta central é assinalar a condição engajada do autor e de sua obra, apresentando-a como parte de um mecanismo de luta e um esforço de resistência que colaborou para o reavivamento e/ou para a formação de identidades nos sujeitos.
"Constantemente derrubo lágrimas": o drama de uma liderança negra no cárcere do governo Vargas
A finalidade deste artigo é enfocar o drama vivido por Isaltino Veiga dos Santos (uma das principais lideranças do movimento negro brasileiro na década de 1930) no cárcere do governo Vargas. Apesar de preso pela Delegacia de Ordem Política e Social (Deops) sob a acusação de realizar atividades subversivas, Veiga dos Santos negou veementemente ser comunista. Assim, a questão central a ser respondida aqui é: ele realmente era comunista ou houve algum tipo de engano por parte do órgão de repressão do governo Vargas?
As viagens científicas realizadas pelo naturalista Martim Francisco Ribeiro de Andrada na capitania de São Paulo (1800-1805)
Martim Francisco Ribeiro de Andrada é conhecido da historiografia sobretudo por sua atuação política no período da Independência, quando integrou o Gabinete dos Andradas, tendo sido o primeiro ministro da Fazenda do Brasil. Sua obra científica, no entanto, foi pouco estudada. O objetivo deste trabalho consiste em resgatar o perfil de naturalista na trajetória de vida do personagem, contribuindo assim para a historiografia das ciências no período da Ilustração luso-americana setecentista. Martim Francisco realizou diversas viagens científicas pela Capitania de São Paulo no exercício do cargo de Diretor Geral das Minas de Ouro, Prata e Ferro. As viagens serão analisadas como fazendo parte do projeto político-reformista posto em prática pelo principal ministro da Viradeira, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, que visava aproveitar racionalmente os recursos naturais, sobretudo os minerais, da sua principal colônia, o Brasil. Tais produções naturais eram vistas como fontes de riquezas imprescindíveis para a modernização do Império Português.
Novas perspectivas sobre a presença francesa na Bahia em torno de 1798
A publicação e análise da correspondência e de um Projeto de invasão da Bahia enviados pelo capitão da Marinha Antoine-René Larcher ao Diretório da República Francesa em 1797 permitem conhecer, sob novos ângulos, os episódios da chamada Conjuração Baiana, tanto pela abrangência social dos conspiradores, quanto por dimensões até então desconhecidas pela historiografia de projetos efetivamente inseridos numa perspectiva mais ampla de tentativas de expansão da Revolução Francesa.
Reviews
"El Proceso" e Igreja Católica na Argentina: entre a cruz e a espada
Resenha dos livros: 1. VERBITSKY, Horacio. El silencio – de Paulo VI a Bergoglio – las relaciones secretas de la Iglesia con la ESMA. Buenos Aires: Editorial Sudamerica, 2005, 253pp. 2. OBREGON, Martín. Entre la cruz y la espada: la Iglesia católica durante los primeros años del “Proceso”. Bernal: Universidad de Quilmes, 2005, 192pp.
História e identidade
DUTRA, Eliana de Freitas. Rebeldes literários da República. História e identidade nacional no Almanaque Brasileiro Garnier (1903-1914). Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005, 253 p.
Sobre cotas no Brasil
Resenha do livro: KAMEL, Ali. Não somos racistas: uma reação aos que querem nos transformar numa nação bicolor. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.
