A missão Carnaúba em Luanda (1961-1963): um episódio negligenciado da história das relações Brasil-Angola

ArtigoV. 2717/08/2026

Resumo

O artigo visa compreender por que a historiografia das relações contemporâneas do Brasil com Angola negligencia o episódio da missão consular de Frederico Carlos Carnaúba sob a égide da política externa independente, entre 1961 e 1963. A análise da historiografia interna do Itamaraty, cruzada com a correspondência consular do período, revela que a missão Carnaúba, considerada malsucedida pela diplomacia brasileira, foi ofuscada pela missão exitosa de Ovídio de Melo em 1975, elegida pelo Ministério como memória oficial e hegemônica do reatamento das relações do Brasil com Angola. Conclui-se que a historiografia profissional não passou ilesa pela “política de esquecimento” da memória da missão Carnaúba, sendo afetada pela tradição de “arquivo fechado” do Itamaraty, cujas recorrentes obstruções ao acesso à documentação têm contribuído para a perpetuação do seu desconhecimento.

Palavras-chave:

  • relações Brasil-Angola
  • política externa independente
  • historiografia da política externa brasileira
  • Guerra de Libertação Angolana
  • política do esquecimento

Como citar este artigo

GUIZELIN, Gilberto da Silva. A missão Carnaúba em Luanda (1961-1963): um episódio negligenciado da história das relações Brasil-Angola. Topoi (Rio J.), v. 27, p. 1-22, ago. 2026.