A missão Carnaúba em Luanda (1961-1963): um episódio negligenciado da história das relações Brasil-Angola
Resumo
O artigo visa compreender por que a historiografia das relações contemporâneas do Brasil com Angola negligencia o episódio da missão consular de Frederico Carlos Carnaúba sob a égide da política externa independente, entre 1961 e 1963. A análise da historiografia interna do Itamaraty, cruzada com a correspondência consular do período, revela que a missão Carnaúba, considerada malsucedida pela diplomacia brasileira, foi ofuscada pela missão exitosa de Ovídio de Melo em 1975, elegida pelo Ministério como memória oficial e hegemônica do reatamento das relações do Brasil com Angola. Conclui-se que a historiografia profissional não passou ilesa pela “política de esquecimento” da memória da missão Carnaúba, sendo afetada pela tradição de “arquivo fechado” do Itamaraty, cujas recorrentes obstruções ao acesso à documentação têm contribuído para a perpetuação do seu desconhecimento.
Palavras-chave:
- relações Brasil-Angola
- política externa independente
- historiografia da política externa brasileira
- Guerra de Libertação Angolana
- política do esquecimento
Como citar este artigo
GUIZELIN, Gilberto da Silva. A missão Carnaúba em Luanda (1961-1963): um episódio negligenciado da história das relações Brasil-Angola. Topoi (Rio J.), v. 27, p. 1-22, ago. 2026.
