botao voltar

Topoi. Revista de História
Volume 18, Número 35 | Maio - Agosto 2017



O encontro da militância com a vadiagem nas prisões da Ilha Grande


Myrian Sepulveda Santos

 

O encontro da militância com a vadiagem nas prisões da Ilha Grande

General Flores da Cunha em 1943, quando estava preso na Colônia Agrícola do Distrito Federal (CADF), Vila de Dois Rios, Ilha Grande. O general aparece cercado pelos funcionários Catino (com acordeão), Sady Pequeno, João Uchôa Cavalcanti (fumando charuto) e Capitão Manoel Mostardeiro; Aymoré.
El General Flores da Cunha en 1943, cuando estaba preso en la Colonia Agrícola del Distrito Federal (CADF), Vila de Dois Rios, Isla Grande. El general está cercado por los funcionarios Catino (con el acordeón), Sady Pequeno, João Uchôa Cavalcanti (con el cigarro) y Capitán Manoel Mostardeiro; Aymoré.
General Flores da Cunha in 1943, while imprisoned at the Federal District Agricultural Colony (CADF, in the Portuguese acronym), Vila de Dois Rios, Ilha Grande. The general is surrounded by the prison officials Catino (with accordion), Sady Pequeno, João Uchôa Cavalcanti (smoking a cigar), and Captain Manoel Mostardeiro; Aymoré.
Fonte/ Fuente/ Source: Arquivo pessoal de Oli Demutti Moura, 1943. / Archivo personal de Oli Demutti Moura, 1943. / Personal archive of Oli Demutti Moura, 1943.

 

A partir do estudo sobre prisões da Ilha Grande na primeira metade do século XX, este artigo investiga a construção de uma cultura punitiva que criminalizou grupos sociais que se encontravam em condições precárias de sobrevivência. O termo “vagabundo”, responsável pela prisão e maus tratos de milhares de indivíduos no período pós-abolicionista, esteve presente em leis e códigos penais, no pensamento de legisladores e em textos ditos científicos. O encontro entre lideranças políticas, adversárias do governo Vargas, e a dita vadiagem nas prisões da Ilha Grande, evidenciou tratamentos diferenciados e a naturalização do conceito. Entrevistas com guardas penitenciários da Colônia Agrícola do Distrito Federal, construída em 1942, permitem indicar como essas classificações foram operacionais no interior do sistema prisional e como elas se desdobraram.


Palavras-chave: Ilha Grande; sistema penitenciário; Colônia Correcional de Dois Rios; Colônia Agrícola do Distrito Federal; cultura punitiva.


Como citar:
SANTOS, Myrian Sepulveda. O encontro da militância com a vadiagem nas prisões da Ilha Grande. Topoi. Revista de História, Rio de Janeiro, v. 18, n. 35, p. 356-380, mai./ago. 2017. Disponível em: <www.revistatopoi.org>.

 

 


 

 

El encuentro de la militancia con la vagancia en las prisiones de Ilha Grande


Con base en un estudio sobre las prisiones de Ilha Grande en la primera mitad del siglo XX, este artículo investiga la construcción de una cultura punitiva que ha criminalizado grupos sociales en condiciones precarias de sobrevivencia. La palabra “vagabundo” [vago], que ha justificado la prisión y el maltrato de miles de individuos en el periodo pos-abolicionista, estuvo presente en leyes y códigos penales, en el pensamiento de legisladores y en textos dichos científicos. El encuentro de liderazgos políticos, adversarias del gobierno Vargas, y la llamada vagancia en las prisiones de la Ilha Grande, evidencia tratamientos diferenciados y la naturalización del concepto. Entrevistas con guardias penitenciarios de la Colonia Agrícola del Distrito Federal, construida en 1942, permiten indicar cómo tales clasificaciones eran operacionales en el interior del sistema penitenciario y cómo se han desdoblado.
Palabras clave: Ilha Grande; sistema penitenciario; Colônia Correcional de Dois Rios; Colônia Agrícola do Distrito Federal; cultura punitiva.
Cómo citar:
SANTOS, Myrian Sepulveda. O encontro da militância com a vadiagem nas prisões da Ilha Grande. Topoi. Revista de História, Rio de Janeiro, v. 18, n. 35, p. 356-380, may./ago. 2017. Disponible en: <www.revistatopoi.org>.

 

 

 

 

 

The meeting of activism and vagrancy in Ilha Grande’s prisons


Based on the study of Ilha Grande’s prisons in the first half of the twentieth century, this paper investigates the construction of a punitive culture that criminalized social groups in poor living conditions. The term “vagabundo” [vagrant], which justified the arrest and mistreatment of thousands of individuals in the post-abolitionist period, was present in laws and penal codes, in legislators’ thought, and in so-called scientific texts. The meeting between political leaders opposed to Vargas’ government and the so-called vagrants indicated differential treatments and the naturalization of the concept. Interviews with prison guards of the Colônia Agrícola do Distrito Federal, built in 1942, indicate how these classifications were operating within the prison system, and how they were deployed.


Keywords: Ilha Grande; prison system; Colônia Correcional de Dois Rios; Colônia Agrícola do Distrito Federal; punitive culture.


Cite this item:
SANTOS, Myrian Sepulveda. O encontro da militância com a vadiagem nas prisões da Ilha Grande. Topoi. Revista de História, Rio de Janeiro, v. 18, n. 35, p. 356-380, May/Aug. 2017. Available at: <www.revistatopoi.org>.

 



Compartilhe esse artigo / Comparte este artículo / Share this article:




botao voltar