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Topoi. Revista de História
Volume 17, Número 33 | Julho - Dezembro 2016



Diálogos catequéticos coloniais: cena textual versus performance.


Marcello Moreira

Diálogos catequéticos coloniais: cena textual versus performance

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Pinterest


 

 

Objetiva-se demonstrar a aplicação de preceitos retóricos quando da composição de diálogos catequéticos no Estado do Brasil, correlacionando-se a enunciação jesuítica sobre a participação de índios na fatura das traduções dos catecismos para as línguas peregrinas do Novo Mundo — o que indiciaria a presença de uma fala índia ainda rumorejante nesses diálogos —, e o estilo pedestre próprio do gênero “diálogo”, com vistas a patentear como essa correlação produz o efeito da “naturalidade da fala selvagem” e, também, o da falta de aplicação de artifício compositivo por parte dos padres da Companhia de Jesus. Discute-se, outrossim, como a “cena” em que dialogam catequista e catecúmeno fixa um modelo para posterior replicação em situações de prática catequética, “cena” essa que, no entanto, era infletida de vários modos pelo hiato entre modelo textual e performance. Por fim, discute-se como a escritura de diálogos, ao se apropriar da fala índia, só o faz para nela inscrever as matérias sacras, as verdades da fé católica, que caberá ao índio, por repetição e interiorização do que repetidamente enuncia, inscrever em si mesmo como duplo do catecúmeno que, nos diálogos, é um seu reflexo perfeito, reflexo que, no entanto, se embacia quando da prática catequética pela impossibilidade de o índio “atuar” como o modelo mimético que o representa à sua revelia.

Palavras-chave: retórica epidítica; catequização; Estado do Brasil; diálogos; Aristóteles; Poética.

 

 

Como citar:

MOREIRA, Marcello. Diálogos catequéticos coloniais: cena textual versus performance. Topoi. Revista de História, Rio de Janeiro, v. 17, n. 33, p. 353-371, jul./dez. 2016. Disponível em: <www.revistatopoi.org>.

 

 

Diálogos catequéticos coloniales: escena textual versus performance


El objetivo de este artículo es demonstrar como preceptos retóricos han sido aplicados cuando se compusieron los diálogos catequéticos en el Estado de Brasil, correlacionando la enunciación jesuita sobre la participación de los nativos en las traducciones de los catecismos a las lenguas nativas del Nuevo Mundo (como indica el hablar nativo que susurra en estos diálogos) y el estilo propio del género “diálogo”. Tal correlación produce el efecto de la “naturalidad del hablar salvaje” y, también, de la falta de aplicación del artificio compositivo por parte de los padres de la Compañía de Jesús. Se discute, además, como la “escena” en que dialogan catequista y catecúmeno establece un modelo para su reproducción en prácticas de catequesis, “escena” que, sin embargo, era alterada de varios modos por el hiato entre modelo textual y performance. Por fin, se discute como la escritura de los diálogos, al apropiarse del hablar nativo, lo hace solo para imprimir en él las materias sacras, las verdades de la fe católica, y será del nativo la tarea de imprimirlas en sí mismo, por repetición e interiorización de los enunciados, como un doble del catecúmeno que, en los diálogos, es su reflejo perfecto. Sin embargo, este reflejo perfecto se empaña por la práctica catequética porque es imposible para el nativo “actuar” de acuerdo con el modelo que lo representa a pesar suyo.


Palabras clave: retórica epidíctica; catequización; Estado de Brasil; diálogos; Aristóteles; Poética.

 


Cómo citar:

MOREIRA, Marcello. Diálogos catequéticos coloniais: cena textual versus performance. Topoi. Revista de História, Rio de Janeiro, v. 17, n. 33, p. 353-371, jul./dic. 2016. Disponible en: <www.revistatopoi.org>.

 

 

 

Colonial Catechetical Dialogues: Textual Scene Versus Performance


This paper’s goal is to demonstrate how rhetorical precepts were applied to catechetical dialogues composed in Portuguese South America. It correlates Jesuit statements about the participation of Native Brazilians in the production of translations into their languages (native speech still rustles in the dialogues) with the pedestrian style of the “dialogue” genre itself. The paper endeavors to show how such correlation produced the effect of “naturalness of savage speech,” and also demonstrates the lack of application of artificial composition by the priests of the Society of Jesus. Lastly, we discuss how dialogue writing appropriates native speech only as a means to include in it the sacred truths of the Catholic faith, leaving to Native Brazilians the task of ascribing such truths to themselves through repetition and internalization, as a stunt double of the catechumen in the dialogues, as its perfect reflection. In the catechetical practice, though, such reflection is blurred, as it is impossible for the native to “act” as the mimetic model that represents him in absentia.

 

Keywords: Epideictic Rhetoric; Catechization; Portuguese America; Dialogues; Aristotle; Poetics.

 

Cite this item:

MOREIRA, Marcello. Diálogos catequéticos coloniais: cena textual versus performance. Topoi. Revista de História, Rio de Janeiro, v. 17, n. 33, p. 353-371, Jul./Dec., 2016. Available at: <www.revistatopoi.org>.



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