nº 19 / V. 10

Julho - Dezembro 2009

Artigos

Biografia: quando o indivíduo encontra a história

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Por: Mary Del Priore

A biografia, uma das primeiras formas de história - depois das dos deuses e de homens célebres -, retém cada vez mais a atenção dos historiadores. Todavia, a moda da biografia histórica é recente. Com efeito, até a metade do século XX, sem ser de todo abandonada, ela era vista como um gênero avelhantado, convencional e ultrapassado por uma geração devotada a abordagens quantitativas e economicistas.

Inquisição ao avesso: a trajetória de um inquisidor a partir dos registros da Visitação ao Tribunal de Goa

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Por: Célia Cristina da Silva Tavares

O presente artigo pretende analisar a possibilidade de realização da biografia de um inquisidor de Goa, João Delgado Figueira, a partir da documentação produzida pela própria Inquisição que investigava acusações de práticas desaconselhadas feitas por este funcionário. Apesar de ser figura importante, tendo sido inquisidor nos tribunais de Goa, Évora e Lisboa, além de membro do primeiro Conselho Ultramarino, existem muito poucas informações consolidadas por esta figura histórica. Se, por um lado, ele foi acusado de administrar mal as coisas do Santo Ofício, por outro existe um bem registrado esforço de organização do Tribunal de Goa por parte de João Delgado Figueira, na época quando era promotor e deputado do mesmo tribunal. Assim, uma leitura da documentação inquisitorial proporciona a análise do perfil contraditório desta personagem.

Considerações sobre o perfil do alforriado em Rio de Contas, Bahia (século XIX)

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Por: Kátia Lorena Novais Almeida

O artigo aborda o perfil do alforriado em Rio de Contas, Bahia, no decorrer do século XIX. Para isso, examinaremos a origem (África ou Brasil), nação (no caso dos nascidos na África), cor, sexo e idade, quando possível, e sua influência nos termos das manumissões. Ademais, cotejaremos a origem e o sexo do alforriado com os tipos de alforria. Antes disso, é importante conhecermos a composição da escravaria, identificando as mesmas variáveis acima nos escravos que habitavam o município de Rio de Contas, de modo a compará-las com as dos cativos que conquistaram a liberdade. Analisamos as variáveis presentes nas cartas de alforria considerando os períodos entre 1800-1850; 1850-1871 e 1871-1888, e comparamos, sempre que possível, com outras regiões da Bahia e do Brasil.

A duras e pesadas penas: imprensa, identidade e nacionalidade no Brasil imperial

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Por: Daniel Afonso da Silva

O texto apresenta estudo sobre a construção da imprensa brasileira durante o primeiro reinado. Reflete sobre a certificação da imprensa como espaço privilegiado da luta política. Analisa a relação centrípeta e centrífuga entre Bahia e Rio de Janeiro na efetivação da opinião pública. Interpreta discussões parlamentares sobre liberdade e censura de expressão. Afirma a importância da imprensa na consolidação da identidade nacional brasileira.

Regiões-províncias na Guerra da Tríplice Aliança

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Por: Cesar Augusto Barcellos Guazzelli

O texto destaca as principais incidências políticas dos países envolvidos na Guerra do Paraguai e os principais efeitos pela mesma. Serão tratados os problemas apresentados pelos componentes da Tríplice Aliança: da Confederação Argentina, tanto no litoral quanto no noroeste; do Uruguai, muito dependente das questões argentinas; do Brasil serão examinadas as questões relativas ao Rio Grande do Sul, aquela província mais diretamente envolvida pela guerra. A hipótese de que a Guerra do Paraguai não foi um fator de consolidação daquelas nações que compuseram a Tríplice Aliança obriga a formulação de outra questão: quais seriam as entidades políticas de fato na América platina, e em que medida a guerra a um inimigo externo mantinha ou mesmo reforçava as identidades regionais em contrapartida a uma unidade política nacional. O presente texto apresenta a hipótese de que eram as "regiões-províncias" as reais unidades políticas do espaço platino.

Experiência, configuração e ação política: uma reflexão sobre as trajetórias do duque de Caxias e do general Osório

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Por: Adriana Barreto de Souza

O objetivo desse artigo é realizar uma análise comparada das trajetórias do General Osório e do Duque de Caxias para, através dela, investigar diferentes experiências institucionais, ou, se preferirmos, outras formas de ser militar no Brasil do século XIX.

Os limites da ordem: respostas à ação da polícia em Vitória ao final do século XIX

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Por: Geraldo Antonio Soares

A partir da análise de inquéritos policiais procuramos perceber como os indivíduos que viviam em Vitória (Espírito Santo, Brasil), no final do século XIX, se relacionavam com a polícia. O que nos interessa são as respostas que essas pessoas davam à ação da polícia a partir da perspectiva de que os policiais, ou os representantes da ordem pública, eram muito próximos daqueles que, em princípio, eles deviam manter em ordem. As funções e limites da polícia deviam ser redefinidos a cada momento pelas relações interpessoais na cidade já que a autoridade tinha de ser afirmada e reconhecida em cada situação.

A Agência Informativa Católica Argentina (AICA) e a política na Argentina durante o “Processo de Reconstrução Nacional”

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Por: Jessie Jane Vieira de Sousa

O presente trabalho tem como objetivo analisar, através do noticiário publicado no boletim quinzenal da Agência Informativa Católica Argentina (AICA), o aparente consenso construído pelo episcopado argentino em torno do golpe militar ocorrido naquele país em 24 de março de 1976, chamado de El Proceso (Proceso de Reconstrucción Nacional). Nossa proposta é observar a dinâmica das relações entre a Igreja Católica na Argentina e os militares que tomaram o poder naquela ocasião sob o enfoque do noticiário da agência. Nesse momento nos interessam particularmente os boletins editados no final do ano de 1975 e no início de 1976 e como, através dos mesmos, o Episcopado estudava aquela conjuntura política e suas relações com as Força Armadas.

Afoxés em Pernambuco: usos da história na luta por reconhecimento e legitimidade

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Por: Ivaldo Marciano de França Lima

Este trabalho objetiva discutir as relações existentes entre os afoxés e as religiões de divindades e de entidades, especialmente o candomblé, nas cidades do Recife e Olinda entre os anos de 1980 a 2000. Tomados como candomblé de rua por boa parte dos intelectuais do movimento negro em Pernambuco, os afoxezeiros utilizam-se desse discurso para defenderem-se dos ataques feitos por folcloristas, memorialistas e parte significativa dos intelectuais pernambucanos. Estes acusam o afoxé de ser uma manifestação cultural baiana e, por conseguinte, não merecedora de recursos e atenções dos poderes públicos locais. Mas o que são os afoxés? Quem os faz? Onde moram? A quem serve os discursos de origem das manifestações culturais? Para este trabalho foram utilizados como fonte entrevistas realizadas com afoxezeiros e militantes do movimento negro pernambucano, que serão analisados à luz das novas abordagens teórico-metodológicas da História Social da Cultura, além de notícias dos jornais Diário de Pernambuco e Jornal do Comercio.

Transferências de plantas em uma perspectiva histórica: o estado da discussão

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Por: Karen Midleton; e William Beinart

Tradução de Henrique Bertulani. Revisão técnica e edição por José Augusto Valladares Pádua e Maria Aparecida Rezende Mota. Este artigo explora algumas rotas dentro da história da transferência de plantas, especialmente durante o período do imperialismo europeu. Tenta extrair conhecimento de diferentes campos de pesquisa, que geralmente não estão justapostos, tecendo em conjunto perspectivas advindas de disciplinas contrastantes. Não pretende oferecer uma história completa, pois tal seria uma tarefa muito mais complexa. Tentamos incluir deliberadamente plantas cultivadas para a agricultura, plantas de jardim, ervas daninhas e plantas invasoras na mesma estrutura de análise, pois é difícil definir algumas espécies apenas dentro de uma dessas categorias culturalmente construídas. O artigo desenvolve três pontos principais. Primeiramente, ele levanta questões sobre o padrão assimétrico de transferência de plantas durante o período imperialista, consequentemente desafiando algumas das proposições presentes no livro Ecological imperialism, de Alfred Crosby. Em segundo lugar, avaliamos a literatura recente com relação à história da botânica e das instituições botânicas e sugerimos que uma área mais ampla de atuação humana necessita ser considerada, assim como as transferências acidentais, se quisermos mapear e compreender os movimentos globais das espécies de plantas. Em terceiro lugar, argumentamos que, na busca de generalizações sobre os padrões de transferência, os cientistas têm se concentrado em demasia nas propriedades das plantas e os historiadores, no entendimento das instituições políticas e econômicas. A construção de uma história global, assim como de histórias de plantas específicas, requer uma combinação de percepções e pesquisas advindas das ciências exatas, sociais e humanas.

Resenhas

O espaço da leitura em Bizâncio

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Por: Lyvia Vasconcelos Baptista

Resenha do livro: CAVALLO, Guglielmo. Lire à Byzance. Traduit par Paolo Odorico et Alain Segonds. Paris: Les Belles Lettres, 2006, ISBN: 978-2-251- 44309-6, 165 p.

A genealogia do Estado Moderno

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Por: Rachel Saint Williams

Resenha do livro: SENELLART, Michel. As artes de governar: do regimen medieval ao conceito de governo. Tradução: Paulo Neves. São Paulo: Editora 34, 2006.

Em busca do tempo de Alceu

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Por: Marcos Cotrim de Barcellos

Resenha do livro: MENDES, Candido. Dr. Alceu: da “persona” à pessoa. São Paulo: Paulinas, 2008.